sábado, 14 de abril de 2012

São todas as religiões a mesma coisa?


“NOSSOS escritos sagrados nos ensinaram exatamente a mesma coisa. Com efeito, todas as religiões dizem a mesma coisa.” Tais são as observações que as testemunhas de Jeová ouvem com freqüência ao pregarem a mensagem da Bíblia a pessoas no Oriente. Por que será que tantas pessoas pensam assim? Basicamente, há três razões de o fazerem.

2 Primeira, afirma-se que, visto que a maioria das religiões advogam a boa moral, tem de ser essencialmente a mesma coisa e ter a aprovação de Deus. Segunda, o alvo de todas as religiões é o mesmo, segundo se crê. “Todos nós estamos tentando compreender a Deus”, afirmam muitos. Terceira, pensa-se que Deus deixou entregue ao homem decidir como este o compreenderá ou o adorará. O Bhagavad Gita hindu afirma: “Seja como for que os homens se cheguem a mim, assim mesmo eu os aceito; pois por todos os lados, seja qual for o caminho que escolham, ele é meu.” “Seja qual for a forma em que cada devoto procura adorar com fé — nessa forma apenas eu torno firme a sua fé.” Acham-se estas razões em harmonia com os fatos?

3 Notou que a primeira razão deixa fora o aspecto das crenças ou doutrinas? Simplesmente pretende que a boa moral é tudo que está envolvido na religião. Todavia, os fatos demonstram que aquilo em que a pessoa crê não raro determina se praticará a boa moral a que professa aderir. Sim, tem-se visto que as crenças ou doutrinas muitas vezes operarão contra a boa moral.

4 Por exemplo, em certos lugares se permite que muitas pessoas morram de fome. Embora haja disponíveis animais para alimento, não são usados. Por quê? A crença de que os animais são sagrados e são tão importantes como os humanos prepondera sobre o código moral que advoga o amor ao próximo. É óbvio que não basta pregar a boa moral. É preciso que haja um incentivo para as pessoas a praticarem.

5 Considere a asserção de que o alvo de todas as religiões é compreender Deus. Se isto for assim, então, por que há divisões e infindáveis disputas religiosas entre as várias seitas? Por que tem havido tantas guerras religiosas? Se têm o mesmo alvo, deveriam estar unidas. Ademais, os hindus almejam por fim atingir o nirvana, enquanto que os muçulmanos têm diferente alvo. A história também mostra que algumas religiões almejaram obter maior controle político e econômico sobre um país, antes que compreenderem ou chegarem a Deus. Evidentemente, todas as religiões não têm o mesmo alvo, será que têm?

6 A idéia de que Deus deixou entregue ao homem decidir como Ele deva ser compreendido ou adorado está sujeita a sérias dúvidas. Olhe ao redor de si e veja que Deus tem provido inúmeras coisas para tornar possível a vida humana na terra. É razoável concluir-se que Deus tenha provido toda necessidade do homem exceto sua necessidade espiritual, isto é, as coisas que têm que ver com a adoração a Deus? Manteria Deus de propósito o homem em trevas e o deixaria tatear na escuridão em busca de algo em que crer? Deus criou o homem com impulso de adorar. Se não proveu algo para satisfazer tal impulso, então, por que o colocou no homem? — Sal. 145:15, 16, 18.

7 Não, Deus não deixou entregue ao homem decidir como este deveria adorá-lo. Amorosamente proveu para o homem um registro escrito em que diz ao homem o que se exige deste e explica por quê. Tal registro escrito é a Bíblia Sagrada, que foi escrita no Oriente. Ao passo que outros escritos orientais contêm matéria amplamente especulativa, a Bíblia se acha escrita com lógica, apelando para o raciocínio do homem. Apresenta história cuidadosamente documentada quanto aos lugares e ao tempo. Está cheia de evidência de ser revelação divina da parte de um Autor celeste. A Bíblia não ensina as mesmas coisas que os livros sagrados de outras religiões.

8 A Bíblia explica que a perversidade começou quando uma criatura espiritual perfeita se rebelou contra Deus. Identifica-a como sendo Satanás, o Diabo, e o principal responsável pelos ais que assolam a humanidade hoje em dia. (Rev. 12:9, 12) A Bíblia não ensina, como o fazem várias religiões orientais, que toda perversidade existe porque Deus está representando certo drama por prazer. Nem afirma, que estamos representando as partes que Deus preparou de antemão para nós. Existe a perversidade porque Deus a permite por algum tempo. Tem permitido certo período de tempo para resolver certas questões que foram suscitadas pela rebelião de Satanás. (Jó 2:3-5) Também, todo humano está envolvido no assunto. Podemos decidir fazer o bem ou o mal. — Deu. 30:19, 20.

9 Outro ensino bíblico ímpar diz respeito ao reino celeste de Deus, que em breve destruirá todos os atuais governos mundanos. (Dan. 2:44) “Quer dizer”, alguém poderia perguntar, “que tais governos não são o reino de Deus?” Perguntam isso porque lhes foi ensinado que não há tal coisa como mal absoluto ou bem absoluto. Acham que algo pode ser bom ou mau, certo ou errado, tudo isso ao mesmo tempo.

10 A Bíblia, contudo, não ensina isto. Mostra que os males que afligem a humanidade serão eliminados pelo reino de Deus. Somente este tem sido dotado de poder por Deus para remover o Diabo, em cujo poder jaz o mundo inteiro. (1 João 5:19) Ao passo que a maioria dos escritos religiosos afirmam que o bem e o mal chegam em ciclos, a Bíblia revela que Deus estabeleceu um limite definido de tempo sobre a existência do mal. Quando tiver passado, eliminará a perversidade da terra. — Pro. 2:22; Sal. 37:10.

11 Sim, o originador da perversidade, da tristeza e da morte será eliminado. Todos os humanos que continuarem a apoiá-lo de qualquer forma serão destruídos. Está bem próximo o tempo de Deus tomar esta ação que trará felicidade. É vital que verifiquemos o que Deus exige de nós a fim de sobrevivermos a esse perigoso tempo de destruição. — Sof. 2:2, 3; Rev. 20:1-3; 21:3, 4.

12 A Bíblia destaca vez após vez que a única forma de os homens poderem obter a salvação eterna é por adorarem a Deus da forma que ele deseja. Isto exige que examinem criteriosamente o registro escrito que Deus tem fornecido ao homem, a saber, a Bíblia. Apenas por fazerem isto podem os homens verificar o que precisam fazer a fim de obterem o favor de Deus e a vida interminável em felicidade. Instamos com o leitor a que examine a Bíblia Sagrada, o único livro que contém evidência de que é a Palavra de Deus.

Pode responder a estas perguntas? Para obter as respostas, leia o artigo acima.

(1) Que observações ouvem com freqüência as testemunhas de Jeová ao pregarem a pessoas no Oriente? (2) Por que três razões pensam as pessoas que todas as religiões ensinam as mesmas coisas? (3) Por que as crenças influem na prática da boa moral? (4) Como é que a crença em alguns lugares permite que muitas pessoas morram de fome, enquanto há animais disponíveis para alimento? (5) O que mostra que o alvo de todas as religiões não é o mesmo? (6) Por que é desarrazoado se crer que Deus tenha deixado entregue ao homem a decisão de como o adorar? (7) O que proveu Deus para ajudar o homem a conhecer Sua vontade? (8) Como começou a perversidade, e por que Deus a permite por algum tempo? (9) O que é que alguns crêem quanto ao mal absoluto e o bem absoluto? (10) O que diz a Bíblia sobre a remoção da perversidade da terra por parte de Deus? (11) Para sobreviver aos perigosos tempos à frente, o que temos de fazer agora? (12) Como podemos aprender a adorar a Deus da forma que ele deseja?

Salvaguarde seu coração


ENTRE as formas pelas quais a Palavra de Deus prova ser a verdade se acham os princípios admoestadores. Por exemplo, em Provérbios 4:23 lemos: “Mais do que qualquer outra coisa a ser guardada, resguarda teu coração, pois dele procedem as fontes da vida.” O coração envolve os sentimentos, os motivos, os desejos e os anseios mais íntimos da pessoa. Se não foram dirigidos a canais corretos, podem facilmente trazer pesar e ruína à pessoa e também resultar em pesar e miséria para outros.

Quando Jesus Cristo estava na terra, inculcou este assunto de se salvaguardar o coração. Os líderes religiosos se preocupavam mais com a limpeza cerimonial do que com a pureza de coração. Assim, ele lhes disse: “De dentro, dos corações dos homens, saem raciocínios prejudiciais: fornicações, ladroagens, assassínios, adultérios, cobiças, atos de iniqüidade, fraude, conduta desenfreada.” — Mar. 7:21, 22.

Que deixar de salvaguardar o coração pode trazer tais resultados é representado graficamente para nós na Palavra de Deus em relação com Amnom, o primogênito do Rei Davi. Por deixar que uma paixão vil e egoísta controlasse seu coração, morreu de morte prematura e violenta. Os pormenores se acham registrados para nós em 2 Samuel, capítulo 13.

Amnom apaixonou-se loucamente pela linda Tamar, sua meia-irmã e uma virgem. Deixou tanto que sua paixão tomasse conta de seu coração que isto se tornou patente a outros, tais como seu primo e companheiro, Jonadabe, que lhe perguntou o que havia de mal. Amnom lhe confidenciou: “Estou enamorado de Tamar, irmã de Absalão, meu irmão.” Jonadabe, sendo um sujeito astucioso e sem princípios, aconselhou Amnom a fingir-se de doente e então pedir a seu pai para que sua meia-irmã Tamar lhe servisse uma refeição.

Ansiosamente, Amnom seguiu este vil conselho, e seu pai, o Rei Davi, não suspeitando de nada, enviou Tamar para a casa de Amnom, para fazer alguns bolos e servi-los a ele. Submissamente, Tamar obedeceu e cozeu algum “pão do consolo” sob seus olhos. Quando ela os tinha aprontado, Amnom ordenou que todos os outros deixassem seu quarto. Daí, quando a sós com Tamar, agarrou-a e instou com ela a que tivesse relações com ele. Mas, ela, sendo virgem virtuosa, rejeitou tal sugestão. Suplicou a Amnom: “Não, meu irmão! Não me humilhes; pois não se costuma fazer assim em Israel. Não cometas esta ignominiosa insensatez. E eu — aonde farei ir meu vitupério? E tu — tu te tornarás como um dos insensatos em Israel.”

Mas, Amnom não se dispunha a dar ouvidos à razão. Sua paixão era inteiramente egoísta. Não se preocupava em fazê-la feliz, como é usualmente o caso quando um jovem se apaixona por uma moça. Assim, forçou-a, sim, violou sua meia-irmã, linda princesa virgem. Daí, como não raro se dá em tais casos, tendo satisfeito sua paixão puramente egoísta, veio a odiá-la.

Em seguida, o registro diz que Amnom começou a odiá-la tanto quanto antes a ‘amara’ ou desejara, e ordenou-lhe que se fosse embora. Mas, ela recusou-se a ir. Assim, mandou a seu ajudante: “Por favor, manda esta pessoa embora de mim, lá para fora, e tranca a porta atrás dela.” Agora não era mais a ‘amada’ Tamar, mas “esta pessoa”. O servente de Amnom obedeceu ao pedido dele e enviou a Tamar para fora do quarto. Tamar, grandemente angustiada e humilhada colocou cinzas sobre a cabeça (como era o costume naqueles dias quando se passava por grande pesar), rasgou sua bela vestimenta e se foi chorando.

Seu pleno irmão Absalão, vendo sua condição desgraçada, indagou o que ocorrera. Ele mandou que não dissesse nada sobre isso e a levou para a casa dele, onde ela permaneceu reclusa. Mas, ele nutriu ódio a Amnom por tal ato e fez planos para vingar a honra de sua irmã. Dois anos depois, em relação com as festas de tosquia de ovelhas, Absalão convidou seu pai, o Rei Davi e os servos dele a comparecer a elas. Davi se recusou e, assim, Absalão insistiu com ele a que mandasse Amnom e o restante dos filhos do rei.

Antes da festa, Absalão deu ordens a seus servos para que, logo que Amnom estivesse de espírito alegre por causa de beber vinho, deveriam matá-lo, quando Absalão lhes desse a ordem: “Golpeai a Amnom!” Seus servos obedeceram, matando a Amnom, no que todos os demais filhos do rei fugiram em pânico. Assim, Amnom pagou com a vida por ter deixado de salvaguardar seu coração, por ter cedido à paixão egoísta e violado a virgindade de sua meia-irmã Tamar.
Claramente, o fim de Amnom sublinha a verdade do princípio bíblico quanto à importância de se salvaguardar o coração. E o fracasso de Amnom neste respeito também trouxe muito pesar a outros, à linda Tamar e, sem dúvida também a seus conhecidos íntimos. Certamente trouxe pesar a seu pai. Mas, bem provavelmente por causa de seu próprio pecado contra Urias, em relação a Bate-Seba, Davi não conseguiu agir contra Amnom. Com a morte violenta de Amnom, começou a cumprir-se a profecia proferida por Natã por ocasião do grande pecado de Davi. — 2 Sam. 12:10.
Que lição se acha nisto para os cristãos hodiernos? Que é vital salvaguardar o coração da pessoa. Se um rapaz deixar de fazê-lo, pode permitir que a paixão egoísta, sexual tome conta de seu coração e de sua mente a ponto de não só ter relações com uma moça, mas também planejar que fique a sós com ele de modo que possa tentá-la a cometer fornicação com ele, de modo a satisfazer sua paixão egoísta. Ela pode ceder, ou arrazoar tolamente, que desta forma ela mostraria que realmente o amava, ou que, por ceder, ela teria certeza de que ele se casaria com ela. Mas, se ele verdadeiramente a amasse, estaria disposto a esperar até que tivessem um casamento honroso.

Que tolice é agir contrário à Palavra de Deus: “Fugi da fornicação”! Há sempre o sentimento de culpa depois. Com freqüência, a moça fica grávida. Daí, o que farão? Casar-se-á o rapaz com ela devido à pressão? Até mesmo se casar, a moça fica envergonhada por ter um filho ilegítimo. — 1 Cor. 6:18.

Nem isso é tudo. Para um jovem associado com uma verdadeira congregação cristã, tal ação talvez bem que resulte em ser desassociado, ser cortado da congregação. E, se procurar ser readmitido, tem de mostrar sua sinceridade por freqüentar as reuniões congregacionais sem que ninguém fale com ele, enquanto dá evidência de arrependimento. Daí, seria colocado sob prova por certo tempo, e, por anos depois disso, ser-lhe-iam negados privilégios especiais e progresso na organização de Jeová.

Não há dúvida de que a Bíblia se prova verdadeira por seus princípios admoestadores. Salvaguardar o coração é o proceder sábio, pois dele procedem as fontes da vida. Deixar de salvaguardá-lo traz pesar e ruína para a pessoa hoje, assim como trouxe no tempo do Rei Davi. Também traz pesar a outros. E, não se deve desperceber que tal proceder desagrada a Jeová Deus. — Sal. 90:7, 8.

Quem são os ‘três que dão testemunho’?



DURANTE muitos e muitos anos, os versículos bíblicos de 1 João 5:7, 8 foram usados na tentativa de provar a Trindade. Isto se deu por conterem as palavras: “O Pai, o Verbo, e o Espírito Santo; e estes três são uma só coisa.” (Soares) Segundo a doutrina da Trindade, o Pai, o Filho e o ‘Espírito Santo’ são três pessoas em um só Deus, coeternas e iguais em poder, glória e substância.

Atualmente, contudo, tais versículos raramente são usados. Por quê? Porque, como uma recente versão católico-romana, The Jerusalem Bible, explica em nota marginal, “não se acham em nenhum dos primitivos MSS [manuscritos] Gregos, nem em qualquer das traduções primitivas, ou nos melhores MSS da própria Vulg[ata]”, e, portanto, “são provavelmente uma nota explicativa introduzida no texto”. Em outras palavras, são espúrias.

Sem a adição espúria, estes dois versículos rezam: “Porque são três os que dão testemunho: o espírito, e a água, e o sangue, e os três estão de acordo.” Quem são exatamente os ‘três que dão testemunho’, e no que estão de acordo?

Estão de acordo no que toca à verdade expressa nos dois versículos precedentes: “Quem é que vence o mundo senão aquele que tem fé em que Jesus é o Filho de Deus? É este quem veio por meio de água e sangue, Jesus Cristo; não apenas com água, mas com a água e com o sangue. E é o espírito que está dando testemunho, porque o espírito é a verdade.”

O que é “o espírito” que é testemunha de Jesus ser o Filho de Deus? É a força ativa ou espírito santo de Jeová. Deu testemunho tanto por dar testemunho da filiação de Jesus como por dar poderes a Jesus Cristo para executar sua comissão como o Filho de Deus.

João Batista relatou como o espírito santo dava testemunho de que Jesus é o Filho de Deus, afirmando: “Observei o espírito descer como pomba do céu; e permaneceu sobre ele. Até eu não o conhecia, mas o Mesmo que me enviou a batizar em água disse-me: ‘Sobre quem for que vires descer o espírito e permanecer, este é quem batiza em espírito santo.’ E eu o vi e dei testemunho de que este é o Filho de Deus.” — João 1:32-34.

Que este espírito santo até mesmo testificaria mais tarde em favor de Jesus Cristo, ele mesmo deixou claro, dizendo a seus apóstolos: “Quando chegar o ajudador que eu vos enviarei do Pai, o espírito da verdade, que procede do Pai, esse dará testemunho de mim.” — João 15:26.

Em especial desde Pentecostes em diante, o espírito santo de Deus deu este testemunho por ajudar os discípulos de Jesus a entender as profecias bíblicas que mostravam ser Jesus o Filho de Deus. Isto se harmoniza com as palavras do apóstolo Paulo que mostram que Deus revela a verdade a seu povo “por intermédio de seu espírito, pois o espírito pesquisa todas as coisas, até mesmo as coisas profundas de Deus”. — 1 Cor. 2:10; Atos 2:14-36; Rom. 1:1-4.

O espírito santo de Jeová Deus também serviu como testemunha a respeito de Jesus ser o Filho de Deus no sentido de que o ungiu e lhe deu poderes para realizar obras poderosas, provando ser o Filho de Deus. Como ele mesmo disse: “Se não faço as obras de meu Pai, não me acrediteis. Se as faço, porém, mesmo que não me acrediteis, acreditai nas obras.” O apóstolo Pedro testificou de forma similar: “Deus o ungiu com espírito santo e poder, e ele percorria o país, fazendo o bem e sarando a todos os oprimidos pelo Diabo; porque Deus estava com ele.” — João 10:37, 38; Atos 10:38.

O apóstolo João também declara que “a água” era um dos “que dão testemunho”. A que água se referia aqui? É a água literal em que Jesus foi batizado no Rio Jordão? Assim parece. Visto que o espírito é literal, e também o sangue, a água logicamente teria de ser literal. Estas palavras de João, por conseguinte, trazem à mente o que Jesus disse a Nicodemos com respeito a como a pessoa nasceria de novo: “Eu te digo em toda a verdade: A menos que alguém nasça de água e espírito, não pode entrar no reino de Deus.” A água a que Jesus se referia aqui era a água do batismo. — João 3:5.

A água do batismo testificou de Jesus ser o Filho de Deus. Como? No sentido de que foi na ocasião do batismo de Jesus que Jeová Deus reconheceu Jesus como seu Filho, afirmando: “Este é meu Filho, o amado, a quem tenho aprovado.” (Mat. 3:17) Se Jesus não tivesse vindo a João para ser batizado em água, esta confirmação particular dele como sendo o Filho de Deus não teria ocorrido. A apresentação de si mesmo para fazer a vontade de Jeová se dava em cumprimento de profecias tais como a do Salmo 40:8: “Agradei-me em fazer a tua vontade, ó meu Deus, e a tua lei está nas minhas partes internas”, assim como o apóstolo Paulo mostra em Hebreus 10:5-10.

Com efeito, esta foi a principal razão ou propósito para a vinda de João Batista e o seu batismo em água, como ele mesmo testificou: “Até eu não o conhecia, mas a razão por que vim batizar em água era que ele fosse manifestado a Israel.” (João 1:31) Assim vemos que, em sentido literalíssimo, a água com que Jesus foi batizado no Jordão, bem como o que representava, a apresentação de si mesmo para fazer a vontade de seu Pai, testificou de Jesus ser o Filho de Deus.

O que dizer do terceiro que ‘dá testemunho’ mencionado pelo apóstolo João — “o sangue”? Que sangue? O sangue de quem? E como dá testemunho de Jesus Cristo ser o Filho de Deus?

O sangue a que João aqui se referia era, sem dúvida, o sangue do próprio Jesus. O sangue de nenhum outro poderia assim testificar. A Palavra de Deus, vez após vez, mostra que é o sangue de Jesus Cristo que serviu como nosso resgate e nos purifica dos pecados: “Há um só Deus e um só mediador . . . Cristo Jesus, o qual se entregou como resgate correspondente por todos.” “O sangue de Jesus, seu Filho, purifica-nos de todo o pecado.” — 1 Tim. 2:5, 6; 1 João 1:7.

Nenhum sangue humano comum poderia servir como nosso resgate, como se torna claro das Escrituras. Mas, Jesus Cristo podia e fez isso, porque era e é o Filho de Deus. Ademais, para que o gênero humano se beneficiasse do sacrifício de resgate de Jesus Cristo era mister que ‘Cristo entrasse no próprio céu, para aparecer agora por nós na presença de Jeová Deus’. (Heb. 9:24) Somente por causa de ser ele o perfeito Filho de Deus que derramou seu sangue como sacrifício é que Jeová Deus o ressuscitou, habilitando-o assim a aparecer no céu.

Em vista de todo o precedente, quem são os ‘três que dão testemunho’? São (1) o espírito ou força ativa de Jeová Deus; (2) a água por meio da qual Jesus foi batizado, bem como o que ela representava, e (3) o sangue que Jesus derramou como resgate pelos pecados da humanidade. E todos estes três dão testemunho de que Jesus não é Deus, o Filho, conforme afirmado pelos trinitaristas, mas que ele é deveras o Filho de Deus.


Quanto tempo estiveram os israelitas no Egito?


TALVEZ responda esta pergunta por citar Êxodo 12:40, 41: “E a morada dos filhos de Israel, que haviam morado no Egito, foi de quatrocentos e trinta anos. E sucedeu, ao fim dos quatrocentos e trinta anos, sim, sucedeu neste mesmo dia, que todos os exércitos de Jeová saíram da terra do Egito.” Não obstante, alguém poderia objetar, dizendo: Os descendentes de Abraão deveriam ser libertos da escravidão na quarta geração, mas 430 anos abrangem mais do que quatro gerações. (Gên. 15:16) Realmente, então, será que os israelitas deveras residiram 430 anos no Egito?

Queira notar como Êxodo 12:40 é traduzido na Versão dos Setenta, grega: “Mas a morada dos filhos de Israel, que eles [e seus pais, Manuscrito Alexandrino] moraram na terra do Egito e na terra de Canaã, [foi de] quatrocentos e trinta anos.” Similarmente, o Pentateuco samaritano reza: “na terra de Canaã e na terra do Egito”. Ambas estas versões mostram que a morada ou os anos de residência estrangeira eqüivaleram a 430 anos, dos quais os israelitas gastaram uma parte no Egito.

O acima é confirmado pelas palavras do apóstolo Paulo aos Gálatas: “Outrossim, digo o seguinte: Quanto ao pacto anteriormente validado por Deus, a Lei, que veio à existência quatrocentos e trinta anos depois, não o invalida, de modo a abolir a promessa. Pois, se a herança se deve a uma lei, já não se deve mais a uma promessa; ao passo que Deus a deu bondosamente a Abraão por intermédio duma promessa.” (Gál. 3:17, 18) Assim, o período de 430 anos começou com a validez do pacto abraâmico.

Por isso, a fim de determinar o total de anos que os israelitas estavam no Egito, precisamos assegurar-nos de quantos anos se passaram desde que se tornou válido o pacto abraâmico até que os israelitas partiram do Egito. Segundo Gênesis 12:4, Abraão tinha setenta e cinco anos quando se mudou para Canaã. Naquele tempo, o pacto ou promessa que Jeová anteriormente propusera a ele em Ur dos Caldeus entrou em vigor ou, como Paulo escreveu, foi “validado por Deus”. Jeová, depois disso, apareceu a Abraão em Siquém, em Canaã, e assegurou-lhe: “Vou dar esta terra à tua descendência.” — Gên. 12:7.

Vinte e cinco anos depois, Isaque nasceu a Abraão e sua esposa, Sara. (Gên. 21:5) Com sessenta anos de idade, o filho de Abraão, Isaque, tornou-se pai de gêmeos, Jacó e Esaú. (Gên. 25:26) Cento e trinta anos depois disto, Jacó e sua família vieram para o Egito. (Gên. 47:9) Assim, passaram-se 215 anos (25+60+130) entre a validez do pacto abraâmico e a mudança de Jacó e sua família para o Egito. Por isso, os israelitas estavam no Egito por cerca de 215 anos (430-215).

Que a morada de Israel como estrangeiros no Egito foi apenas de 215 anos se harmoniza com a declaração do apóstolo Paulo registrada em Atos 13:17-20: “O Deus deste povo de Israel escolheu os nossos antepassados e enalteceu o povo durante a sua residência como forasteiros na terra do Egito, e os tirou dela com braço erguido. E, por um período de cerca de quarenta anos, suportou a sua maneira de agir no ermo. Depois de destruir sete nações na terra de Canaã, distribuiu-lhes a terra por sorte: tudo isso durante cerca de quatrocentos e cinqüenta anos.”

As palavras de Paulo, “o Deus deste povo de Israel escolheu os nossos antepassados” se aplicam ao tempo em que Isaque realmente nasceu, para ser o descendente prometido, pois o nascimento de Isaque resolveu definitivamente a questão quanto a quem Deus reconheceria como seu descendente. Isto tinha ficado em dúvida por causa da esterilidade de Sara. Desde o nascimento de Isaque até à distribuição da terra de Canaã no tempo de Josué, decorreram deveras cerca de 450 anos (60 [idade de Isaque quando nasceu Jacó] + 130 [idade de Jacó quando chegou ao Egito] + 215 [anos da morada de Israel como estrangeiros no Egito] + 40 [anos das peregrinações de Israel pelo deserto] + 6 [tempo envolvido em destruir as sete nações cananéias]).

O período de 215 anos também torna possível calcular-se as ‘quatro gerações’, algo que não poderia ser feito se os israelitas tivessem residido no Egito durante 430 anos. Uma forma de se contar estas quatro gerações é por meio de (1) Levi, filho de Jacó, (2) Coate, (3) Anrão, e (4) Moisés. — Êxo. 6:16, 18, 20.
Mas, talvez alguém pergunte, não dá a entender Gênesis 15:13 que os israelitas foram afligidos 400 anos no Egito? Este texto reza: “Sabe com certeza que o teu descendente se tornará residente forasteiro numa terra que não é sua; e eles terão de servir-lhes, e estes certamente os atribularão por quatrocentos anos.”

Em vista de Gálatas 3:17, a aflição mencionada em Gênesis 15:13 começou trinta anos depois de ser validado o pacto abraâmico. Isto se deu evidentemente no dia em que Isaque, quando tinha cerca de cinco anos, foi desmamado. Naquela ocasião, Ismael, o filho da escrava egípcia de Sara, por ódio e inveja, começou a ‘fazer caçoada’ de Isaque. (Gên. 21:8, 9) Isto envolvia muito mais do que uma briga de crianças, pois Ismael era quatorze anos mais velho do que Isaque. (Compare-se com Gênesis 16:16; 21:5.) Sem dúvida, com referência a tal evento, declara Gálatas 4:29: “Mas, assim como então aquele nascido na maneira da carne [Ismael] começou a perseguir o nascido na maneira do espírito [Isaque], assim também é agora.”

Durante o inteiro período de 400 anos desde o tempo de Isaque ser desmamado até que os israelitas partiram do Egito, a descendência de Abraão continuou a ser residentes temporários. Escreveu o salmista: “‘A ti [Israel] te darei a terra de Canaã, como lote da vossa herança.’ Isto se deu quando vieram a ser poucos em número, sim, muitos poucos, e residentes forasteiros nela. E andavam de nação em nação, de um reino a outro povo. . . . E Israel passou a entrar no Egito, e o próprio Jacó residiu como forasteiro na terra de Cã.” — Sal. 105:11-23.

Embora Isaque fosse abençoado por Jeová, foi perseguido pelos habitantes de Canaã e obrigado a mudar-se de lugar em lugar por causa das dificuldades que vieram sobre ele da parte dos mesmos. (Gên. 26:27) Jacó também sofreu aflição, conforme indicado pelas suas palavras a Faraó: “Os dias dos anos da minha vida mostraram-se poucos e aflitivos.” — Gên. 47:9.

O exame cuidadoso revela que as Escrituras Sagradas são harmoniosas quanto à duração do tempo em que Israel esteve no Egito. A Palavra de Deus nos habilita tanto a estabelecer como a confirmar que foi por cerca de 215 anos. Este é apenas um dos muitos exemplos que testificam da harmonia interna dos Escritos Sagrados. Podemos ter toda confiança na fidedignidade das referências da Bíblia a questões de tempo.

Quantos Pais Possui


QUANTOS pais possui? “Ora, só tenho um!” — talvez responda. E, na verdade, todo homem que já viveu tem pelo menos um pai; até Adão, pois lemos: “Adão, filho de Deus.” — Luc. 3:38.

Mas, se for católico-romano teria bem mais de 425.000 “pais”; visto que este é o número dos sacerdotes católico-romanos no mundo e sua religião exige que se dirija a eles todos como “Padre”. Pelo menos este é o requisito nos países de língua inglesa. Mas, muitas outras religiões se recusam a reconhecer este título para os sacerdotes, ministros ou pastores. O que diz a Bíblia? Ela é a Palavra de Deus, a respeito da qual Jesus disse a seu Pai celeste: “A tua palavra é a verdade.” — João 17:17.

O termo “pai” ocorre cerca de 1.750 vezes nas Escrituras, na forma singular, plural e possessiva. Primariamente é usado para se referir aos pais literais e aos ancestrais masculinos. Às vezes é também usado para se referir aos homens mais idosos dentre o povo da pessoa, sentido em que tanto Estêvão, o primeiro mártir cristão, como o apóstolo Paulo o usaram. — Atos 7:2; 22:1.

Todos que são cristãos verdadeiros têm também ontro Pai. Não oram: “Nosso Pai nos céus”? (Mat. 6:9) Com efeito, voltando atrás até o tempo de Moisés, Deus era mencionado como o Pai de seu povo. (Deu. 32:6; Sal. 89:26; Isa. 63:16; 64:8) O apóstolo Paulo faz uma ou mais referências a Jeová Deus como Pai em cada uma de suas cartas. Refere-se também a Deus como “o Pai da glória”, assim como o discípulo Tiago fala de Deus como “Pai das luzes celestiais”. — Efé. 1:17; Tia. 1:17.

Jesus Cristo é também chamado de “Pai” nas Escrituras. Assim, em Isaías 9:6 é chamado de “Pai Eterno”. Ele o é em dois sentidos: No sentido de que ele mesmo vive eternamente e de que concede vida eterna a seus filhos. É especialmente o Pai da “grande multidão” de “outras ovelhas”; seus seguidores ungidos de suas pisadas são amiúde mencionados como seus irmãos. — João 10:16; Rev. 7:9.

O termo “pai” também é usado no sentido de chefe, fundador ou primeiro. Assim, Abraão é chamado de “pai de todos os que têm fé”. (Rom. 4:11) Em Gênesis 4:21, achamos Jubal sendo chamado de “pai” ou fundador dos músicos. (PIB) E Jesus denominou Satanás, o Diabo, de “o pai da mentira”. — João 8:44.

Daí, então, a Bíblia usa “pai” simplesmente como termo de respeito. O profeta Eliseu dirigiu-se ao profeta Elias como “meu pai”. Dois reis de Israel, por sua vez, dirigiram-se a Eliseu como “meu pai”. Os servos do general sírio, Naamã, dirigiam-se a seu amo como “meu pai”. — 2 Reis 2:12; 6:21; 13:14; 5:13.

O apóstolo Paulo declarou que era o pai num sentido espiritual, visto que trouxe a esperança de vida interminável a outros. Assim, escreveu aos cristãos em Corinto: “Embora tenhais dez mil tutores em Cristo, certamente não tendes muitos pais; porque eu me tornei vosso pai em Cristo Jesus por intermédio das boas novas.” Falou de Onésimo como “meu filho, para quem me tornei pai”, e também se referiu a Timóteo como “meu amado filho”. Não só Paulo se assemelhou a um pai, mas também disse que era como mãe para aqueles a quem ensinou as boas-novas. — 1 Cor. 4:15; Filêmon 10; 1 Tim. 1:2; 2 Tim. 1:2, Al; 1 Tes. 2:7, 11.

A respeito do uso do termo “Pai” na cristandade atualmente, The Oxford Dictionary of the Christian Church declara: “Na Inglaterra . . . todos os sacerdotes católico-romanos . . . são agora chamados de ‘Padre’, costume introduzido aparentemente da Irlanda na última metade do século dezenove. Também veio a ficar bem em voga entre os anglo-católicos. No continente, outros termos são usados para o clero secular.” A New Catholic Encyclopedia fala do uso do termo nos Estados Unidos. Assim, o semanário jesuíta, America, de 20 de setembro de 1969, continha um artigo intitulado: “Em Memória do Padre Gardiner” e em outro artigo mencionava mais de vinte diferentes sacerdotes cujos nomes todos começavam com a inicial “P.”, abreviação do título “Padre”.

O que dizer deste uso do termo “Padre” como título para o clero? Justifica tal uso o fato que o termo “pai” é usado tão amiúde nas Escrituras, e de vários modos? Bem, o que diz Jesus Cristo sobre o assunto? Ordenou especificamente a seus seguidores: “Não chameis a ninguém na terra de vosso pai, pois um só é o vosso Pai, o Celestial.” É claro que ele queria dizer que “Pai” como título religioso, deveria ser usado apenas com referência a Jeová Deus, o Pai celeste. Que Jesus não queria excluir que nos referíssemos ao nosso pai literal como “pai” é claro de seu próprio uso freqüente do termo pai neste sentido. — Mat. 23:9; 10:37; Mar. 10:29; Luc. 15:20.

Mas, o que dizer de o apóstolo Paulo se referir a si mesmo como “pai”? Havia boa razão para se referir a si mesmo como “pai” espiritual de certas pessoas, pois lhes trouxe vida espiritual. Foi apenas de tais que ele se mencionou como sendo seu pai. Mas, será que qualquer uma delas se dirigia a Paulo como “Padre Paulo”? Absolutamente não! Em parte alguma das Escrituras chegamos a ler a respeito de ele ou Pedro ou qualquer outro dos apóstolos ser chamado de “Padre”.

Há também o termo “Santo Padre” que é concedido aos papas de Roma. O que dizer disso? Se ninguém na terra deveria receber o título religioso de “Pai”, então muito menos deveria qualquer homem ser chamado de “Santo Padre”. Jesus, em oração, dirigiu-se a Deus no céu como “Santo Pai”. (João 17:11) Bem, seria correto tomar-se esse título que a Bíblia só aplica a Deus e aplicá-lo a um homem? Para os que verdadeiramente desejam agradar a Deus, a resposta é óbvia.

Assim, quantos pais possui? Tem seu pai literal que o gerou. Jeová Deus e Jesus Cristo podem também ser seus Pais, dependendo de sua fé e de suas obras. E, também, o ministro cristão que lhe levou a verdade vitalizadora de Deus pode mencionar a si mesmo como seu pai por meio das boas-novas. Mas, não há nenhum homem na terra, nem mesmo aquele que lhe ensinou a Palavra de Deus, a quem se deve dirigir pelo título religioso de “Pai” ou “Padre”.

O que é o Reino de Deus?


AO LER os relatos bíblicos da vida de Jesus Cristo, não pode deixar de ficar impressionado com o destaque que deu ao reino de Deus. O reino foi o tema de sua mensagem, como ele mesmo disse: “Tenho de declarar as boas novas do reino de Deus também a outras cidades, porque fui enviado para isso.” (Luc. 4:43; 8:1) Esta expressão “reino de Deus” é usada cerca de setenta vezes no chamado Novo Testamento, e, nos quatro Evangelhos, Jesus falou mais de 110 vezes sobre o Reino. Considerou-o de tamanha importância que ensinou seus seguidores a orar pedindo que viesse o reino de Deus e que Sua vontade fosse feita na terra. — Mat. 6:9, 10.

2 Visto que se dá tal importância ao reino de Deus, é somente correto que se deseje saber exatamente o que é. Para assegurar-se disto, apanhe por obséquio seu próprio exemplar da Bíblia e abra-o em Isaías, capítulo nove, versículos seis e sete. Se tiver a Versão Almeida, notará que a profecia sobre o regente prometido reza: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso, Conselheiro, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da Paz. Do incremento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino.”

3 Notará que a regência deste rei prometido é denominada “principado” [“governo”, VB] Sim, o reino de Deus é um governo sob a administração do Filho de Deus, que se predisse ser o “descendente” do Rei Davi, judeu. (Sal. 89:35-37; Jer. 23:5) Jesus Cristo se mostrou ser este prometido, assim como o anjo de Deus declarou antes do seu nascimento: “Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e Jeová Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e ele reinará sobre a casa de Jacó para sempre, e não haverá fim do seu reino.” — Luc. 1:32, 33.

4 Jesus Cristo, contudo, não seria rei terrestre, sentando sobre um trono material como seu antepassado Davi. Não, mas depois de provar seu valor para ser rei por manter integridade à soberania de Deus até à morte, Deus o levantou dentre os mortos de forma a que regesse desde os céus. (Sal. 2:6-8; 110:1, 2; Heb. 10:12, 13) Durante seu ministério terrestre, Jesus sublinhou que o reino de Deus deveria ser celeste. Com efeito, disse ao sumo sacerdote judeu: “Vereis o Filho do homem sentado à destra de poder e vindo nas nuvens do céu.” — Mat. 26:64.

5 Visto ser celeste, o reino de Deus, portanto, não tem ligações com os governos políticos deste mundo. Jesus disse explicitamente a certo governante do mundo: “Meu reino não faz parte deste mundo. Se o meu reino fizesse parte deste mundo, meus assistentes teriam lutado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas, assim como é, o meu reino não é desta fonte.” (João 18:36) Em certa ocasião, Jesus se retirou para um local isolado de modo a evitar uma convocação popular para fazê-lo rei terrestre. — João 6:15.

6 Embora Jesus Cristo seja o principal regente no reino de Deus, dentre a humanidade são tiradas pessoas para juntar-se a ele no reino celeste de seu Pai. (João 14:2, 3) Há dezenove séculos atrás, quando Jesus terminava sua vida terrena, indicou que levaria os primeiros membros prospectivos do governo celeste de Deus a um pacto para aquele reino, afirmando a seus apóstolos fiéis: “Eu faço convosco um pacto, assim como meu Pai fez comigo um pacto, para um reino a fim de que comais e bebais à minha mesa, no meu reino.” — Luc. 22:28-30; 2 Tim. 4:18.

7 Que posição, poder-se-ia perguntar, usufruem estes junto com Jesus no reino de Deus? É uma posição exaltada, sendo  privilegiados a compartilhar intimamente com Jesus no trabalho designado pelo seu Pai. Descrevendo os que são levados ao pacto “para um reino” e que se provam fiéis, a Bíblia afirma: “Serão sacerdotes de Deus e do Cristo, e reinarão com ele por mil anos.” (Rev. 20:6) Sim, os conduzidos ao céu regem junto com Jesus Cristo. Servem quais reis e sacerdotes junto com ele. — Rev. 3:21; 2 Tim. 2:11, 12.

8 Entretanto, Jesus indicou que só haveria um número limitado de pessoas que seriam introduzidas no pacto “para um reino” a fim de ser regentes junto com ele. Referiu-se a elas como “pequeno rebanho”. (Luc. 12:32) Mais tarde, o ressuscitado Cordeiro de Deus, Jesus Cristo, mostrou numa visão ao apóstolo João quantos se associariam com ele no reino celeste. João escreveu: “E eu vi, e eis o Cordeiro em pé no Monte Sião, e com ele cento e quarenta e quatro mil, que têm o nome dele e o nome de seu Pai escrito nas suas testas. E estão cantando como que um novo cântico diante do trono . . . e ninguém podia aprender esse cântico, exceto os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da terra.” — Rev. 14:1, 3.

9 Este reino celeste de Deus assegurará que a vontade de Deus seja feita na terra, assim como se declara na oração que Jesus ensinou a seus seguidores. (Mat. 6:10) O rei designado, Jesus Cristo, se certificará de que os súditos terrestres do Reino sejam abençoados com paz, como mostra a profecia: “Nos seus dias florescerá o justo e a abundância de paz até que não haja mais lua. E terá súditos de mar a mar e desde o Rio até os confins da terra.” — Sal. 72:7, 8; Isa. 11:6-9.

10 A fim de o reino de Deus verdadeiramente abençoar as pessoas de disposição justa, a terra tem de ser livrada de todos os governos egoístas que oprimiram a humanidade já por tanto tempo. E, felizmente, isto será feito! A Palavra de Deus prediz: “Nos dias daqueles reis o Deus do céu estabelecerá um reino que jamais será arruinado. E o próprio reino não passará a qualquer outro povo. Esmiuçará e porá termo a todos estes reinos, e ele mesmo ficará estabelecido por tempo indefinido.” (Dan. 2:44) Na verdade, o reino de Deus é a única esperança da humanidade de obter paz e felicidade duradouras! Com boa razão, Jesus Cristo incentivou: “Persisti pois, em buscar primeiro o reino.” — Mat. 6:33.

Pode responder a estas perguntas? Para obter as respostas, leia o artigo acima.

(1) Como é destacada na Bíblia a importância do reino de Deus? (2) O que é correto que desejemos saber, e que informação fornece a profecia de Isaías? (3) Quem se mostrou ser o prometido regente de Deus, predito na profecia bíblica? (4) Como sabemos que o reino de Deus é celeste e não terrestre? (5) Que evidência existe de que o Reino não tem relação com os governos políticos deste mundo? (6) Haverá outros da terra junto com Jesus no reino celeste? (7) Em que posição servirão os que são introduzidos no pacto “para um reino”? (8) Quantas pessoas são introduzidas no pacto “para um reino” e usufruem a vida celeste junto com Jesus Cristo? (9) Que propósito cumprirá para com a terra o reino de Deus? (10) O que fará o reino de Deus a todos os governos humanos egoístas? Assim, que incentivo de Jesus devemos acolher?

O que é o espírito de vida do homem?


É NOITE. O povoado fidjiano está mergulhado nas trevas. Subitamente um grito revela que um espírito entrou de novo em Mereani. Em todas as choupanas, o povo temeroso e fascinado se junta à choupana de Mereani. Ali está ela, sentada, ereta, à luz dum lampião, jovem senhora casada que tem cerca de trinta anos. Seus olhos, incrivelmente injetados pela força que atua dentro dela, olham fixamente com uma intensidade ardente e avermelhada. Meia dúzia de homens fortes não conseguem segurá-la. Abre a boca e, com voz masculina profunda, de imponente autoridade, fala de forma vigorosa e avisa contra as ofensas aos costumes tribais. Para apaziguar o “tevoro” (diabo ou espírito) dentro dela, as pessoas temerosas lhe dão meio litro de bebida de uma raiz sagrada, que ela engole de uma só vez. Então, desmaia. Na manhã seguinte, Mereani não se lembra de nada da noite anterior.

2 Este incidente verdadeiro é típico do que acontece às vezes nas Ilhas Fidji. Embora os fidjianos professem ser cristãos, ainda crêem no “tevoro”, palavra relacionada com a palavra inglesa “devil” (“diabo”). Para a maioria deles, significa o “espírito” de um humano morto. Crêem que tal espírito pode causar dano ou fazer o bem aos vivos. Muitos fidjianos aprenderam isto desde a infância.

3 Por exemplo, muitos fidjianos crêem que o espírito dum homem morto possa levantar-se do túmulo na quarta noite (“Bogi Va”), quando se realiza uma festa de apaziguamento. Depois disso, o espírito está livre para ir de um lado para o outro, e fixar residência em algum lugar escuro, preferivelmente numa grande árvore “baka”. Esta espécie copada e enorme de figueira, na escuridão da noite, se presta idealmente a tais crenças.

4 Há crenças correspondentes em outras ilhas do sul do Pacífico. Em Samoa, fazem-se esforços especiais de “depositar o espírito” num descanso permanente, de modo que não cause mais dano. Eles exumarão os ossos dum morto e os ensoparão de água fervente. Num caso recente no Taiti, fez-se um buraco no túmulo, penetrando no caixão, e colocou-se longo cano no buraco, para levar água fervente para dentro do caixão. Esperava-se que o espírito de certa avó recentemente falecida deixasse de causar a doença mortífera em um dos seus netinhos.

5 Que faz com que as pessoas sustentem tais crenças? Uma das razões principais é que em todas as partes da terra há inegáveis fenômenos psíquicos. Estas ocorrências fantásticas são tidas como evidência de que os espíritos dos mortos continuam a viver. Outra razão é que muitos não sabem o que a Bíblia ensina sobre tais assuntos. Alguns até mesmo interpretam erroneamente o que ela diz. Não obstante, se a pessoa realmente quiser saber a verdade sobre o que acontece ao homem quando ele morre, tem de voltar-se para a Bíblia e deixar que ela fale por si. Somente ela contém as idéias Daquele que sabe, por ter criado o homem. Também, explica verazmente o que é o espírito de vida do homem e o que acontece com este por ocasião da morte. — Isa. 45:11, 12.

6 Note primeiro que a Bíblia não atribui qualquer idéia de imperecebilidade, imortalidade ou indestrutibilidade à palavra “alma”. Não, a Bíblia não fala da alma como algo que vive depois da morte. Antes, mostra que a alma é a própria criatura vivente, seja ela peixe, ave, animal ou homem. (Gên. 1:20, 24; 2:7) Com efeito, Deus enfaticamente nos diz que “a alma que pecar — ela é que morrerá”. — Eze. 18:4, 20.

7 Não obstante, alguns talvez pensem que Eclesiastes 12:7 apóie a idéia de que o espírito de vida do homem continue a viver conscientemente após a morte: “Então o pó retorna à terra, assim como veio a ser, e o próprio espírito retorna ao verdadeiro Deus que o deu.” Arrazoam que, se o espírito de vida do homem retorna para o verdadeiro Deus, então não seria capaz de outro movimento ou ação? Não seria capaz de retornar para visitar a vizinhança dos parentes do homem morto?

8 Em realidade, tal raciocínio não é nada mais que simples especulação. É ler em tal versículo algo que não existe nele. Será que diz que o espírito de vida do homem vai para seu anterior povoado ou lar e assume residência numa vizinha árvore “baka”, ou diz que retorna para Deus? O que Deus diz sobre este assunto em Sua Palavra é a verdade. — Tito 1:2; Núm. 23:19.

9 Eclesiastes 9:5, 6, 10 diz explicitamente que os mortos são impotentes, inativos e não sentem quaisquer emoções. O que, então, é este espírito e como é que retorna para Deus? O espírito a que se refere Eclesiastes 12:7 não é a alma, a própria criatura vivente, mas é a impessoal força de vida nas células do corpo do homem que eventualmente deixa o corpo por ocasião da morte. Visto que Deus é o único que tem o poder de restaurar esta força de vida a uma pessoa, por ocasião da morte, ela vem a estar sob a jurisdição de Deus. Depende agora de Jeová Deus, por meio de seu Juiz, Jesus Cristo, decidir se ressuscitará tal pessoa. — João 5:21.

10 Poderíamos ilustrar isto pelo caso de alguém que empresta um objeto a um amigo. Quando o amigo vem devolvê-lo, o dono talvez lhe peça que o deixe à porta de sua choupana. Embora a pessoa que o pediu emprestado não o tenha colocado nas mãos do dono, o objeto se acha mais uma vez de posse do proprietário e sob a sua jurisdição. Assim se dá com a força de vida do homem por ocasião da morte; ela ‘volta para Deus’.

11 Neste ponto, alguns talvez fiquem admirados, pensando nos incidentes fantásticos que envolvem espíritos. O fato é que estes são obra de demônios, de espíritos iníquos. Tais forças más personificam astutamente as pessoas humanas mortas, no esforço concentrado de fazer parecer que os mortos vivem e que Deus mente. Com freqüência, dominam as pessoas, como no exemplo dado no primeiro parágrafo, para dar força a suas sórdidas pretensões. — Efé. 6:12.

12 A fim de evitar colocar-nos sob a perigosa influência dos demônios, precisamos armar-nos das verdades da Bíblia. O curso gratuito de estudo bíblico domiciliar durante seis meses, oferecido pelas testemunhas de Jeová, o ajudará a fazer isto. Tire sabiamente proveito deste arranjo agora, no curto tempo que resta antes que Deus destrua este perverso sistema de coisas. Será ricamente abençoado por assim fazer. — João 17:3.

Pode responder a estas perguntas? Para obter as respostas, leia o artigo acima.

(1) Que fenômeno estranho ocorreu num povoado fidjiano certa noite? (2) Os fidjianos acreditam que um espírito pode fazer o que para os vivos? (3) Quando acham que o espírito está livre para ir de uma parte para outra? (4) Como é que os samoanos tentam “depositar o espírito” num descanso permanente? (5) Por que são mantidas tais crenças? (6) O que diz a Bíblia sobre a alma? (7) Como é que alguns raciocinam sobre Eclesiastes 12:7? (8) Por que é absurdo crer-se que o espírito de vida do homem retorne para seu povoado? (9) O que é o espírito de vida, e como retorna para Deus? (10) O que pode ilustrar o retorno do espírito para Deus? (11) Quem é responsável pelos fenômenos fantásticos, e por quê? (12) O que devemos fazer a fim de evitar ficarmos sob a influência demoníaca?