sábado, 14 de abril de 2012

São todas as religiões a mesma coisa?


“NOSSOS escritos sagrados nos ensinaram exatamente a mesma coisa. Com efeito, todas as religiões dizem a mesma coisa.” Tais são as observações que as testemunhas de Jeová ouvem com freqüência ao pregarem a mensagem da Bíblia a pessoas no Oriente. Por que será que tantas pessoas pensam assim? Basicamente, há três razões de o fazerem.

2 Primeira, afirma-se que, visto que a maioria das religiões advogam a boa moral, tem de ser essencialmente a mesma coisa e ter a aprovação de Deus. Segunda, o alvo de todas as religiões é o mesmo, segundo se crê. “Todos nós estamos tentando compreender a Deus”, afirmam muitos. Terceira, pensa-se que Deus deixou entregue ao homem decidir como este o compreenderá ou o adorará. O Bhagavad Gita hindu afirma: “Seja como for que os homens se cheguem a mim, assim mesmo eu os aceito; pois por todos os lados, seja qual for o caminho que escolham, ele é meu.” “Seja qual for a forma em que cada devoto procura adorar com fé — nessa forma apenas eu torno firme a sua fé.” Acham-se estas razões em harmonia com os fatos?

3 Notou que a primeira razão deixa fora o aspecto das crenças ou doutrinas? Simplesmente pretende que a boa moral é tudo que está envolvido na religião. Todavia, os fatos demonstram que aquilo em que a pessoa crê não raro determina se praticará a boa moral a que professa aderir. Sim, tem-se visto que as crenças ou doutrinas muitas vezes operarão contra a boa moral.

4 Por exemplo, em certos lugares se permite que muitas pessoas morram de fome. Embora haja disponíveis animais para alimento, não são usados. Por quê? A crença de que os animais são sagrados e são tão importantes como os humanos prepondera sobre o código moral que advoga o amor ao próximo. É óbvio que não basta pregar a boa moral. É preciso que haja um incentivo para as pessoas a praticarem.

5 Considere a asserção de que o alvo de todas as religiões é compreender Deus. Se isto for assim, então, por que há divisões e infindáveis disputas religiosas entre as várias seitas? Por que tem havido tantas guerras religiosas? Se têm o mesmo alvo, deveriam estar unidas. Ademais, os hindus almejam por fim atingir o nirvana, enquanto que os muçulmanos têm diferente alvo. A história também mostra que algumas religiões almejaram obter maior controle político e econômico sobre um país, antes que compreenderem ou chegarem a Deus. Evidentemente, todas as religiões não têm o mesmo alvo, será que têm?

6 A idéia de que Deus deixou entregue ao homem decidir como Ele deva ser compreendido ou adorado está sujeita a sérias dúvidas. Olhe ao redor de si e veja que Deus tem provido inúmeras coisas para tornar possível a vida humana na terra. É razoável concluir-se que Deus tenha provido toda necessidade do homem exceto sua necessidade espiritual, isto é, as coisas que têm que ver com a adoração a Deus? Manteria Deus de propósito o homem em trevas e o deixaria tatear na escuridão em busca de algo em que crer? Deus criou o homem com impulso de adorar. Se não proveu algo para satisfazer tal impulso, então, por que o colocou no homem? — Sal. 145:15, 16, 18.

7 Não, Deus não deixou entregue ao homem decidir como este deveria adorá-lo. Amorosamente proveu para o homem um registro escrito em que diz ao homem o que se exige deste e explica por quê. Tal registro escrito é a Bíblia Sagrada, que foi escrita no Oriente. Ao passo que outros escritos orientais contêm matéria amplamente especulativa, a Bíblia se acha escrita com lógica, apelando para o raciocínio do homem. Apresenta história cuidadosamente documentada quanto aos lugares e ao tempo. Está cheia de evidência de ser revelação divina da parte de um Autor celeste. A Bíblia não ensina as mesmas coisas que os livros sagrados de outras religiões.

8 A Bíblia explica que a perversidade começou quando uma criatura espiritual perfeita se rebelou contra Deus. Identifica-a como sendo Satanás, o Diabo, e o principal responsável pelos ais que assolam a humanidade hoje em dia. (Rev. 12:9, 12) A Bíblia não ensina, como o fazem várias religiões orientais, que toda perversidade existe porque Deus está representando certo drama por prazer. Nem afirma, que estamos representando as partes que Deus preparou de antemão para nós. Existe a perversidade porque Deus a permite por algum tempo. Tem permitido certo período de tempo para resolver certas questões que foram suscitadas pela rebelião de Satanás. (Jó 2:3-5) Também, todo humano está envolvido no assunto. Podemos decidir fazer o bem ou o mal. — Deu. 30:19, 20.

9 Outro ensino bíblico ímpar diz respeito ao reino celeste de Deus, que em breve destruirá todos os atuais governos mundanos. (Dan. 2:44) “Quer dizer”, alguém poderia perguntar, “que tais governos não são o reino de Deus?” Perguntam isso porque lhes foi ensinado que não há tal coisa como mal absoluto ou bem absoluto. Acham que algo pode ser bom ou mau, certo ou errado, tudo isso ao mesmo tempo.

10 A Bíblia, contudo, não ensina isto. Mostra que os males que afligem a humanidade serão eliminados pelo reino de Deus. Somente este tem sido dotado de poder por Deus para remover o Diabo, em cujo poder jaz o mundo inteiro. (1 João 5:19) Ao passo que a maioria dos escritos religiosos afirmam que o bem e o mal chegam em ciclos, a Bíblia revela que Deus estabeleceu um limite definido de tempo sobre a existência do mal. Quando tiver passado, eliminará a perversidade da terra. — Pro. 2:22; Sal. 37:10.

11 Sim, o originador da perversidade, da tristeza e da morte será eliminado. Todos os humanos que continuarem a apoiá-lo de qualquer forma serão destruídos. Está bem próximo o tempo de Deus tomar esta ação que trará felicidade. É vital que verifiquemos o que Deus exige de nós a fim de sobrevivermos a esse perigoso tempo de destruição. — Sof. 2:2, 3; Rev. 20:1-3; 21:3, 4.

12 A Bíblia destaca vez após vez que a única forma de os homens poderem obter a salvação eterna é por adorarem a Deus da forma que ele deseja. Isto exige que examinem criteriosamente o registro escrito que Deus tem fornecido ao homem, a saber, a Bíblia. Apenas por fazerem isto podem os homens verificar o que precisam fazer a fim de obterem o favor de Deus e a vida interminável em felicidade. Instamos com o leitor a que examine a Bíblia Sagrada, o único livro que contém evidência de que é a Palavra de Deus.

Pode responder a estas perguntas? Para obter as respostas, leia o artigo acima.

(1) Que observações ouvem com freqüência as testemunhas de Jeová ao pregarem a pessoas no Oriente? (2) Por que três razões pensam as pessoas que todas as religiões ensinam as mesmas coisas? (3) Por que as crenças influem na prática da boa moral? (4) Como é que a crença em alguns lugares permite que muitas pessoas morram de fome, enquanto há animais disponíveis para alimento? (5) O que mostra que o alvo de todas as religiões não é o mesmo? (6) Por que é desarrazoado se crer que Deus tenha deixado entregue ao homem a decisão de como o adorar? (7) O que proveu Deus para ajudar o homem a conhecer Sua vontade? (8) Como começou a perversidade, e por que Deus a permite por algum tempo? (9) O que é que alguns crêem quanto ao mal absoluto e o bem absoluto? (10) O que diz a Bíblia sobre a remoção da perversidade da terra por parte de Deus? (11) Para sobreviver aos perigosos tempos à frente, o que temos de fazer agora? (12) Como podemos aprender a adorar a Deus da forma que ele deseja?

Salvaguarde seu coração


ENTRE as formas pelas quais a Palavra de Deus prova ser a verdade se acham os princípios admoestadores. Por exemplo, em Provérbios 4:23 lemos: “Mais do que qualquer outra coisa a ser guardada, resguarda teu coração, pois dele procedem as fontes da vida.” O coração envolve os sentimentos, os motivos, os desejos e os anseios mais íntimos da pessoa. Se não foram dirigidos a canais corretos, podem facilmente trazer pesar e ruína à pessoa e também resultar em pesar e miséria para outros.

Quando Jesus Cristo estava na terra, inculcou este assunto de se salvaguardar o coração. Os líderes religiosos se preocupavam mais com a limpeza cerimonial do que com a pureza de coração. Assim, ele lhes disse: “De dentro, dos corações dos homens, saem raciocínios prejudiciais: fornicações, ladroagens, assassínios, adultérios, cobiças, atos de iniqüidade, fraude, conduta desenfreada.” — Mar. 7:21, 22.

Que deixar de salvaguardar o coração pode trazer tais resultados é representado graficamente para nós na Palavra de Deus em relação com Amnom, o primogênito do Rei Davi. Por deixar que uma paixão vil e egoísta controlasse seu coração, morreu de morte prematura e violenta. Os pormenores se acham registrados para nós em 2 Samuel, capítulo 13.

Amnom apaixonou-se loucamente pela linda Tamar, sua meia-irmã e uma virgem. Deixou tanto que sua paixão tomasse conta de seu coração que isto se tornou patente a outros, tais como seu primo e companheiro, Jonadabe, que lhe perguntou o que havia de mal. Amnom lhe confidenciou: “Estou enamorado de Tamar, irmã de Absalão, meu irmão.” Jonadabe, sendo um sujeito astucioso e sem princípios, aconselhou Amnom a fingir-se de doente e então pedir a seu pai para que sua meia-irmã Tamar lhe servisse uma refeição.

Ansiosamente, Amnom seguiu este vil conselho, e seu pai, o Rei Davi, não suspeitando de nada, enviou Tamar para a casa de Amnom, para fazer alguns bolos e servi-los a ele. Submissamente, Tamar obedeceu e cozeu algum “pão do consolo” sob seus olhos. Quando ela os tinha aprontado, Amnom ordenou que todos os outros deixassem seu quarto. Daí, quando a sós com Tamar, agarrou-a e instou com ela a que tivesse relações com ele. Mas, ela, sendo virgem virtuosa, rejeitou tal sugestão. Suplicou a Amnom: “Não, meu irmão! Não me humilhes; pois não se costuma fazer assim em Israel. Não cometas esta ignominiosa insensatez. E eu — aonde farei ir meu vitupério? E tu — tu te tornarás como um dos insensatos em Israel.”

Mas, Amnom não se dispunha a dar ouvidos à razão. Sua paixão era inteiramente egoísta. Não se preocupava em fazê-la feliz, como é usualmente o caso quando um jovem se apaixona por uma moça. Assim, forçou-a, sim, violou sua meia-irmã, linda princesa virgem. Daí, como não raro se dá em tais casos, tendo satisfeito sua paixão puramente egoísta, veio a odiá-la.

Em seguida, o registro diz que Amnom começou a odiá-la tanto quanto antes a ‘amara’ ou desejara, e ordenou-lhe que se fosse embora. Mas, ela recusou-se a ir. Assim, mandou a seu ajudante: “Por favor, manda esta pessoa embora de mim, lá para fora, e tranca a porta atrás dela.” Agora não era mais a ‘amada’ Tamar, mas “esta pessoa”. O servente de Amnom obedeceu ao pedido dele e enviou a Tamar para fora do quarto. Tamar, grandemente angustiada e humilhada colocou cinzas sobre a cabeça (como era o costume naqueles dias quando se passava por grande pesar), rasgou sua bela vestimenta e se foi chorando.

Seu pleno irmão Absalão, vendo sua condição desgraçada, indagou o que ocorrera. Ele mandou que não dissesse nada sobre isso e a levou para a casa dele, onde ela permaneceu reclusa. Mas, ele nutriu ódio a Amnom por tal ato e fez planos para vingar a honra de sua irmã. Dois anos depois, em relação com as festas de tosquia de ovelhas, Absalão convidou seu pai, o Rei Davi e os servos dele a comparecer a elas. Davi se recusou e, assim, Absalão insistiu com ele a que mandasse Amnom e o restante dos filhos do rei.

Antes da festa, Absalão deu ordens a seus servos para que, logo que Amnom estivesse de espírito alegre por causa de beber vinho, deveriam matá-lo, quando Absalão lhes desse a ordem: “Golpeai a Amnom!” Seus servos obedeceram, matando a Amnom, no que todos os demais filhos do rei fugiram em pânico. Assim, Amnom pagou com a vida por ter deixado de salvaguardar seu coração, por ter cedido à paixão egoísta e violado a virgindade de sua meia-irmã Tamar.
Claramente, o fim de Amnom sublinha a verdade do princípio bíblico quanto à importância de se salvaguardar o coração. E o fracasso de Amnom neste respeito também trouxe muito pesar a outros, à linda Tamar e, sem dúvida também a seus conhecidos íntimos. Certamente trouxe pesar a seu pai. Mas, bem provavelmente por causa de seu próprio pecado contra Urias, em relação a Bate-Seba, Davi não conseguiu agir contra Amnom. Com a morte violenta de Amnom, começou a cumprir-se a profecia proferida por Natã por ocasião do grande pecado de Davi. — 2 Sam. 12:10.
Que lição se acha nisto para os cristãos hodiernos? Que é vital salvaguardar o coração da pessoa. Se um rapaz deixar de fazê-lo, pode permitir que a paixão egoísta, sexual tome conta de seu coração e de sua mente a ponto de não só ter relações com uma moça, mas também planejar que fique a sós com ele de modo que possa tentá-la a cometer fornicação com ele, de modo a satisfazer sua paixão egoísta. Ela pode ceder, ou arrazoar tolamente, que desta forma ela mostraria que realmente o amava, ou que, por ceder, ela teria certeza de que ele se casaria com ela. Mas, se ele verdadeiramente a amasse, estaria disposto a esperar até que tivessem um casamento honroso.

Que tolice é agir contrário à Palavra de Deus: “Fugi da fornicação”! Há sempre o sentimento de culpa depois. Com freqüência, a moça fica grávida. Daí, o que farão? Casar-se-á o rapaz com ela devido à pressão? Até mesmo se casar, a moça fica envergonhada por ter um filho ilegítimo. — 1 Cor. 6:18.

Nem isso é tudo. Para um jovem associado com uma verdadeira congregação cristã, tal ação talvez bem que resulte em ser desassociado, ser cortado da congregação. E, se procurar ser readmitido, tem de mostrar sua sinceridade por freqüentar as reuniões congregacionais sem que ninguém fale com ele, enquanto dá evidência de arrependimento. Daí, seria colocado sob prova por certo tempo, e, por anos depois disso, ser-lhe-iam negados privilégios especiais e progresso na organização de Jeová.

Não há dúvida de que a Bíblia se prova verdadeira por seus princípios admoestadores. Salvaguardar o coração é o proceder sábio, pois dele procedem as fontes da vida. Deixar de salvaguardá-lo traz pesar e ruína para a pessoa hoje, assim como trouxe no tempo do Rei Davi. Também traz pesar a outros. E, não se deve desperceber que tal proceder desagrada a Jeová Deus. — Sal. 90:7, 8.

Quem são os ‘três que dão testemunho’?



DURANTE muitos e muitos anos, os versículos bíblicos de 1 João 5:7, 8 foram usados na tentativa de provar a Trindade. Isto se deu por conterem as palavras: “O Pai, o Verbo, e o Espírito Santo; e estes três são uma só coisa.” (Soares) Segundo a doutrina da Trindade, o Pai, o Filho e o ‘Espírito Santo’ são três pessoas em um só Deus, coeternas e iguais em poder, glória e substância.

Atualmente, contudo, tais versículos raramente são usados. Por quê? Porque, como uma recente versão católico-romana, The Jerusalem Bible, explica em nota marginal, “não se acham em nenhum dos primitivos MSS [manuscritos] Gregos, nem em qualquer das traduções primitivas, ou nos melhores MSS da própria Vulg[ata]”, e, portanto, “são provavelmente uma nota explicativa introduzida no texto”. Em outras palavras, são espúrias.

Sem a adição espúria, estes dois versículos rezam: “Porque são três os que dão testemunho: o espírito, e a água, e o sangue, e os três estão de acordo.” Quem são exatamente os ‘três que dão testemunho’, e no que estão de acordo?

Estão de acordo no que toca à verdade expressa nos dois versículos precedentes: “Quem é que vence o mundo senão aquele que tem fé em que Jesus é o Filho de Deus? É este quem veio por meio de água e sangue, Jesus Cristo; não apenas com água, mas com a água e com o sangue. E é o espírito que está dando testemunho, porque o espírito é a verdade.”

O que é “o espírito” que é testemunha de Jesus ser o Filho de Deus? É a força ativa ou espírito santo de Jeová. Deu testemunho tanto por dar testemunho da filiação de Jesus como por dar poderes a Jesus Cristo para executar sua comissão como o Filho de Deus.

João Batista relatou como o espírito santo dava testemunho de que Jesus é o Filho de Deus, afirmando: “Observei o espírito descer como pomba do céu; e permaneceu sobre ele. Até eu não o conhecia, mas o Mesmo que me enviou a batizar em água disse-me: ‘Sobre quem for que vires descer o espírito e permanecer, este é quem batiza em espírito santo.’ E eu o vi e dei testemunho de que este é o Filho de Deus.” — João 1:32-34.

Que este espírito santo até mesmo testificaria mais tarde em favor de Jesus Cristo, ele mesmo deixou claro, dizendo a seus apóstolos: “Quando chegar o ajudador que eu vos enviarei do Pai, o espírito da verdade, que procede do Pai, esse dará testemunho de mim.” — João 15:26.

Em especial desde Pentecostes em diante, o espírito santo de Deus deu este testemunho por ajudar os discípulos de Jesus a entender as profecias bíblicas que mostravam ser Jesus o Filho de Deus. Isto se harmoniza com as palavras do apóstolo Paulo que mostram que Deus revela a verdade a seu povo “por intermédio de seu espírito, pois o espírito pesquisa todas as coisas, até mesmo as coisas profundas de Deus”. — 1 Cor. 2:10; Atos 2:14-36; Rom. 1:1-4.

O espírito santo de Jeová Deus também serviu como testemunha a respeito de Jesus ser o Filho de Deus no sentido de que o ungiu e lhe deu poderes para realizar obras poderosas, provando ser o Filho de Deus. Como ele mesmo disse: “Se não faço as obras de meu Pai, não me acrediteis. Se as faço, porém, mesmo que não me acrediteis, acreditai nas obras.” O apóstolo Pedro testificou de forma similar: “Deus o ungiu com espírito santo e poder, e ele percorria o país, fazendo o bem e sarando a todos os oprimidos pelo Diabo; porque Deus estava com ele.” — João 10:37, 38; Atos 10:38.

O apóstolo João também declara que “a água” era um dos “que dão testemunho”. A que água se referia aqui? É a água literal em que Jesus foi batizado no Rio Jordão? Assim parece. Visto que o espírito é literal, e também o sangue, a água logicamente teria de ser literal. Estas palavras de João, por conseguinte, trazem à mente o que Jesus disse a Nicodemos com respeito a como a pessoa nasceria de novo: “Eu te digo em toda a verdade: A menos que alguém nasça de água e espírito, não pode entrar no reino de Deus.” A água a que Jesus se referia aqui era a água do batismo. — João 3:5.

A água do batismo testificou de Jesus ser o Filho de Deus. Como? No sentido de que foi na ocasião do batismo de Jesus que Jeová Deus reconheceu Jesus como seu Filho, afirmando: “Este é meu Filho, o amado, a quem tenho aprovado.” (Mat. 3:17) Se Jesus não tivesse vindo a João para ser batizado em água, esta confirmação particular dele como sendo o Filho de Deus não teria ocorrido. A apresentação de si mesmo para fazer a vontade de Jeová se dava em cumprimento de profecias tais como a do Salmo 40:8: “Agradei-me em fazer a tua vontade, ó meu Deus, e a tua lei está nas minhas partes internas”, assim como o apóstolo Paulo mostra em Hebreus 10:5-10.

Com efeito, esta foi a principal razão ou propósito para a vinda de João Batista e o seu batismo em água, como ele mesmo testificou: “Até eu não o conhecia, mas a razão por que vim batizar em água era que ele fosse manifestado a Israel.” (João 1:31) Assim vemos que, em sentido literalíssimo, a água com que Jesus foi batizado no Jordão, bem como o que representava, a apresentação de si mesmo para fazer a vontade de seu Pai, testificou de Jesus ser o Filho de Deus.

O que dizer do terceiro que ‘dá testemunho’ mencionado pelo apóstolo João — “o sangue”? Que sangue? O sangue de quem? E como dá testemunho de Jesus Cristo ser o Filho de Deus?

O sangue a que João aqui se referia era, sem dúvida, o sangue do próprio Jesus. O sangue de nenhum outro poderia assim testificar. A Palavra de Deus, vez após vez, mostra que é o sangue de Jesus Cristo que serviu como nosso resgate e nos purifica dos pecados: “Há um só Deus e um só mediador . . . Cristo Jesus, o qual se entregou como resgate correspondente por todos.” “O sangue de Jesus, seu Filho, purifica-nos de todo o pecado.” — 1 Tim. 2:5, 6; 1 João 1:7.

Nenhum sangue humano comum poderia servir como nosso resgate, como se torna claro das Escrituras. Mas, Jesus Cristo podia e fez isso, porque era e é o Filho de Deus. Ademais, para que o gênero humano se beneficiasse do sacrifício de resgate de Jesus Cristo era mister que ‘Cristo entrasse no próprio céu, para aparecer agora por nós na presença de Jeová Deus’. (Heb. 9:24) Somente por causa de ser ele o perfeito Filho de Deus que derramou seu sangue como sacrifício é que Jeová Deus o ressuscitou, habilitando-o assim a aparecer no céu.

Em vista de todo o precedente, quem são os ‘três que dão testemunho’? São (1) o espírito ou força ativa de Jeová Deus; (2) a água por meio da qual Jesus foi batizado, bem como o que ela representava, e (3) o sangue que Jesus derramou como resgate pelos pecados da humanidade. E todos estes três dão testemunho de que Jesus não é Deus, o Filho, conforme afirmado pelos trinitaristas, mas que ele é deveras o Filho de Deus.


Quanto tempo estiveram os israelitas no Egito?


TALVEZ responda esta pergunta por citar Êxodo 12:40, 41: “E a morada dos filhos de Israel, que haviam morado no Egito, foi de quatrocentos e trinta anos. E sucedeu, ao fim dos quatrocentos e trinta anos, sim, sucedeu neste mesmo dia, que todos os exércitos de Jeová saíram da terra do Egito.” Não obstante, alguém poderia objetar, dizendo: Os descendentes de Abraão deveriam ser libertos da escravidão na quarta geração, mas 430 anos abrangem mais do que quatro gerações. (Gên. 15:16) Realmente, então, será que os israelitas deveras residiram 430 anos no Egito?

Queira notar como Êxodo 12:40 é traduzido na Versão dos Setenta, grega: “Mas a morada dos filhos de Israel, que eles [e seus pais, Manuscrito Alexandrino] moraram na terra do Egito e na terra de Canaã, [foi de] quatrocentos e trinta anos.” Similarmente, o Pentateuco samaritano reza: “na terra de Canaã e na terra do Egito”. Ambas estas versões mostram que a morada ou os anos de residência estrangeira eqüivaleram a 430 anos, dos quais os israelitas gastaram uma parte no Egito.

O acima é confirmado pelas palavras do apóstolo Paulo aos Gálatas: “Outrossim, digo o seguinte: Quanto ao pacto anteriormente validado por Deus, a Lei, que veio à existência quatrocentos e trinta anos depois, não o invalida, de modo a abolir a promessa. Pois, se a herança se deve a uma lei, já não se deve mais a uma promessa; ao passo que Deus a deu bondosamente a Abraão por intermédio duma promessa.” (Gál. 3:17, 18) Assim, o período de 430 anos começou com a validez do pacto abraâmico.

Por isso, a fim de determinar o total de anos que os israelitas estavam no Egito, precisamos assegurar-nos de quantos anos se passaram desde que se tornou válido o pacto abraâmico até que os israelitas partiram do Egito. Segundo Gênesis 12:4, Abraão tinha setenta e cinco anos quando se mudou para Canaã. Naquele tempo, o pacto ou promessa que Jeová anteriormente propusera a ele em Ur dos Caldeus entrou em vigor ou, como Paulo escreveu, foi “validado por Deus”. Jeová, depois disso, apareceu a Abraão em Siquém, em Canaã, e assegurou-lhe: “Vou dar esta terra à tua descendência.” — Gên. 12:7.

Vinte e cinco anos depois, Isaque nasceu a Abraão e sua esposa, Sara. (Gên. 21:5) Com sessenta anos de idade, o filho de Abraão, Isaque, tornou-se pai de gêmeos, Jacó e Esaú. (Gên. 25:26) Cento e trinta anos depois disto, Jacó e sua família vieram para o Egito. (Gên. 47:9) Assim, passaram-se 215 anos (25+60+130) entre a validez do pacto abraâmico e a mudança de Jacó e sua família para o Egito. Por isso, os israelitas estavam no Egito por cerca de 215 anos (430-215).

Que a morada de Israel como estrangeiros no Egito foi apenas de 215 anos se harmoniza com a declaração do apóstolo Paulo registrada em Atos 13:17-20: “O Deus deste povo de Israel escolheu os nossos antepassados e enalteceu o povo durante a sua residência como forasteiros na terra do Egito, e os tirou dela com braço erguido. E, por um período de cerca de quarenta anos, suportou a sua maneira de agir no ermo. Depois de destruir sete nações na terra de Canaã, distribuiu-lhes a terra por sorte: tudo isso durante cerca de quatrocentos e cinqüenta anos.”

As palavras de Paulo, “o Deus deste povo de Israel escolheu os nossos antepassados” se aplicam ao tempo em que Isaque realmente nasceu, para ser o descendente prometido, pois o nascimento de Isaque resolveu definitivamente a questão quanto a quem Deus reconheceria como seu descendente. Isto tinha ficado em dúvida por causa da esterilidade de Sara. Desde o nascimento de Isaque até à distribuição da terra de Canaã no tempo de Josué, decorreram deveras cerca de 450 anos (60 [idade de Isaque quando nasceu Jacó] + 130 [idade de Jacó quando chegou ao Egito] + 215 [anos da morada de Israel como estrangeiros no Egito] + 40 [anos das peregrinações de Israel pelo deserto] + 6 [tempo envolvido em destruir as sete nações cananéias]).

O período de 215 anos também torna possível calcular-se as ‘quatro gerações’, algo que não poderia ser feito se os israelitas tivessem residido no Egito durante 430 anos. Uma forma de se contar estas quatro gerações é por meio de (1) Levi, filho de Jacó, (2) Coate, (3) Anrão, e (4) Moisés. — Êxo. 6:16, 18, 20.
Mas, talvez alguém pergunte, não dá a entender Gênesis 15:13 que os israelitas foram afligidos 400 anos no Egito? Este texto reza: “Sabe com certeza que o teu descendente se tornará residente forasteiro numa terra que não é sua; e eles terão de servir-lhes, e estes certamente os atribularão por quatrocentos anos.”

Em vista de Gálatas 3:17, a aflição mencionada em Gênesis 15:13 começou trinta anos depois de ser validado o pacto abraâmico. Isto se deu evidentemente no dia em que Isaque, quando tinha cerca de cinco anos, foi desmamado. Naquela ocasião, Ismael, o filho da escrava egípcia de Sara, por ódio e inveja, começou a ‘fazer caçoada’ de Isaque. (Gên. 21:8, 9) Isto envolvia muito mais do que uma briga de crianças, pois Ismael era quatorze anos mais velho do que Isaque. (Compare-se com Gênesis 16:16; 21:5.) Sem dúvida, com referência a tal evento, declara Gálatas 4:29: “Mas, assim como então aquele nascido na maneira da carne [Ismael] começou a perseguir o nascido na maneira do espírito [Isaque], assim também é agora.”

Durante o inteiro período de 400 anos desde o tempo de Isaque ser desmamado até que os israelitas partiram do Egito, a descendência de Abraão continuou a ser residentes temporários. Escreveu o salmista: “‘A ti [Israel] te darei a terra de Canaã, como lote da vossa herança.’ Isto se deu quando vieram a ser poucos em número, sim, muitos poucos, e residentes forasteiros nela. E andavam de nação em nação, de um reino a outro povo. . . . E Israel passou a entrar no Egito, e o próprio Jacó residiu como forasteiro na terra de Cã.” — Sal. 105:11-23.

Embora Isaque fosse abençoado por Jeová, foi perseguido pelos habitantes de Canaã e obrigado a mudar-se de lugar em lugar por causa das dificuldades que vieram sobre ele da parte dos mesmos. (Gên. 26:27) Jacó também sofreu aflição, conforme indicado pelas suas palavras a Faraó: “Os dias dos anos da minha vida mostraram-se poucos e aflitivos.” — Gên. 47:9.

O exame cuidadoso revela que as Escrituras Sagradas são harmoniosas quanto à duração do tempo em que Israel esteve no Egito. A Palavra de Deus nos habilita tanto a estabelecer como a confirmar que foi por cerca de 215 anos. Este é apenas um dos muitos exemplos que testificam da harmonia interna dos Escritos Sagrados. Podemos ter toda confiança na fidedignidade das referências da Bíblia a questões de tempo.

Quantos Pais Possui


QUANTOS pais possui? “Ora, só tenho um!” — talvez responda. E, na verdade, todo homem que já viveu tem pelo menos um pai; até Adão, pois lemos: “Adão, filho de Deus.” — Luc. 3:38.

Mas, se for católico-romano teria bem mais de 425.000 “pais”; visto que este é o número dos sacerdotes católico-romanos no mundo e sua religião exige que se dirija a eles todos como “Padre”. Pelo menos este é o requisito nos países de língua inglesa. Mas, muitas outras religiões se recusam a reconhecer este título para os sacerdotes, ministros ou pastores. O que diz a Bíblia? Ela é a Palavra de Deus, a respeito da qual Jesus disse a seu Pai celeste: “A tua palavra é a verdade.” — João 17:17.

O termo “pai” ocorre cerca de 1.750 vezes nas Escrituras, na forma singular, plural e possessiva. Primariamente é usado para se referir aos pais literais e aos ancestrais masculinos. Às vezes é também usado para se referir aos homens mais idosos dentre o povo da pessoa, sentido em que tanto Estêvão, o primeiro mártir cristão, como o apóstolo Paulo o usaram. — Atos 7:2; 22:1.

Todos que são cristãos verdadeiros têm também ontro Pai. Não oram: “Nosso Pai nos céus”? (Mat. 6:9) Com efeito, voltando atrás até o tempo de Moisés, Deus era mencionado como o Pai de seu povo. (Deu. 32:6; Sal. 89:26; Isa. 63:16; 64:8) O apóstolo Paulo faz uma ou mais referências a Jeová Deus como Pai em cada uma de suas cartas. Refere-se também a Deus como “o Pai da glória”, assim como o discípulo Tiago fala de Deus como “Pai das luzes celestiais”. — Efé. 1:17; Tia. 1:17.

Jesus Cristo é também chamado de “Pai” nas Escrituras. Assim, em Isaías 9:6 é chamado de “Pai Eterno”. Ele o é em dois sentidos: No sentido de que ele mesmo vive eternamente e de que concede vida eterna a seus filhos. É especialmente o Pai da “grande multidão” de “outras ovelhas”; seus seguidores ungidos de suas pisadas são amiúde mencionados como seus irmãos. — João 10:16; Rev. 7:9.

O termo “pai” também é usado no sentido de chefe, fundador ou primeiro. Assim, Abraão é chamado de “pai de todos os que têm fé”. (Rom. 4:11) Em Gênesis 4:21, achamos Jubal sendo chamado de “pai” ou fundador dos músicos. (PIB) E Jesus denominou Satanás, o Diabo, de “o pai da mentira”. — João 8:44.

Daí, então, a Bíblia usa “pai” simplesmente como termo de respeito. O profeta Eliseu dirigiu-se ao profeta Elias como “meu pai”. Dois reis de Israel, por sua vez, dirigiram-se a Eliseu como “meu pai”. Os servos do general sírio, Naamã, dirigiam-se a seu amo como “meu pai”. — 2 Reis 2:12; 6:21; 13:14; 5:13.

O apóstolo Paulo declarou que era o pai num sentido espiritual, visto que trouxe a esperança de vida interminável a outros. Assim, escreveu aos cristãos em Corinto: “Embora tenhais dez mil tutores em Cristo, certamente não tendes muitos pais; porque eu me tornei vosso pai em Cristo Jesus por intermédio das boas novas.” Falou de Onésimo como “meu filho, para quem me tornei pai”, e também se referiu a Timóteo como “meu amado filho”. Não só Paulo se assemelhou a um pai, mas também disse que era como mãe para aqueles a quem ensinou as boas-novas. — 1 Cor. 4:15; Filêmon 10; 1 Tim. 1:2; 2 Tim. 1:2, Al; 1 Tes. 2:7, 11.

A respeito do uso do termo “Pai” na cristandade atualmente, The Oxford Dictionary of the Christian Church declara: “Na Inglaterra . . . todos os sacerdotes católico-romanos . . . são agora chamados de ‘Padre’, costume introduzido aparentemente da Irlanda na última metade do século dezenove. Também veio a ficar bem em voga entre os anglo-católicos. No continente, outros termos são usados para o clero secular.” A New Catholic Encyclopedia fala do uso do termo nos Estados Unidos. Assim, o semanário jesuíta, America, de 20 de setembro de 1969, continha um artigo intitulado: “Em Memória do Padre Gardiner” e em outro artigo mencionava mais de vinte diferentes sacerdotes cujos nomes todos começavam com a inicial “P.”, abreviação do título “Padre”.

O que dizer deste uso do termo “Padre” como título para o clero? Justifica tal uso o fato que o termo “pai” é usado tão amiúde nas Escrituras, e de vários modos? Bem, o que diz Jesus Cristo sobre o assunto? Ordenou especificamente a seus seguidores: “Não chameis a ninguém na terra de vosso pai, pois um só é o vosso Pai, o Celestial.” É claro que ele queria dizer que “Pai” como título religioso, deveria ser usado apenas com referência a Jeová Deus, o Pai celeste. Que Jesus não queria excluir que nos referíssemos ao nosso pai literal como “pai” é claro de seu próprio uso freqüente do termo pai neste sentido. — Mat. 23:9; 10:37; Mar. 10:29; Luc. 15:20.

Mas, o que dizer de o apóstolo Paulo se referir a si mesmo como “pai”? Havia boa razão para se referir a si mesmo como “pai” espiritual de certas pessoas, pois lhes trouxe vida espiritual. Foi apenas de tais que ele se mencionou como sendo seu pai. Mas, será que qualquer uma delas se dirigia a Paulo como “Padre Paulo”? Absolutamente não! Em parte alguma das Escrituras chegamos a ler a respeito de ele ou Pedro ou qualquer outro dos apóstolos ser chamado de “Padre”.

Há também o termo “Santo Padre” que é concedido aos papas de Roma. O que dizer disso? Se ninguém na terra deveria receber o título religioso de “Pai”, então muito menos deveria qualquer homem ser chamado de “Santo Padre”. Jesus, em oração, dirigiu-se a Deus no céu como “Santo Pai”. (João 17:11) Bem, seria correto tomar-se esse título que a Bíblia só aplica a Deus e aplicá-lo a um homem? Para os que verdadeiramente desejam agradar a Deus, a resposta é óbvia.

Assim, quantos pais possui? Tem seu pai literal que o gerou. Jeová Deus e Jesus Cristo podem também ser seus Pais, dependendo de sua fé e de suas obras. E, também, o ministro cristão que lhe levou a verdade vitalizadora de Deus pode mencionar a si mesmo como seu pai por meio das boas-novas. Mas, não há nenhum homem na terra, nem mesmo aquele que lhe ensinou a Palavra de Deus, a quem se deve dirigir pelo título religioso de “Pai” ou “Padre”.

O que é o Reino de Deus?


AO LER os relatos bíblicos da vida de Jesus Cristo, não pode deixar de ficar impressionado com o destaque que deu ao reino de Deus. O reino foi o tema de sua mensagem, como ele mesmo disse: “Tenho de declarar as boas novas do reino de Deus também a outras cidades, porque fui enviado para isso.” (Luc. 4:43; 8:1) Esta expressão “reino de Deus” é usada cerca de setenta vezes no chamado Novo Testamento, e, nos quatro Evangelhos, Jesus falou mais de 110 vezes sobre o Reino. Considerou-o de tamanha importância que ensinou seus seguidores a orar pedindo que viesse o reino de Deus e que Sua vontade fosse feita na terra. — Mat. 6:9, 10.

2 Visto que se dá tal importância ao reino de Deus, é somente correto que se deseje saber exatamente o que é. Para assegurar-se disto, apanhe por obséquio seu próprio exemplar da Bíblia e abra-o em Isaías, capítulo nove, versículos seis e sete. Se tiver a Versão Almeida, notará que a profecia sobre o regente prometido reza: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso, Conselheiro, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da Paz. Do incremento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino.”

3 Notará que a regência deste rei prometido é denominada “principado” [“governo”, VB] Sim, o reino de Deus é um governo sob a administração do Filho de Deus, que se predisse ser o “descendente” do Rei Davi, judeu. (Sal. 89:35-37; Jer. 23:5) Jesus Cristo se mostrou ser este prometido, assim como o anjo de Deus declarou antes do seu nascimento: “Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e Jeová Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e ele reinará sobre a casa de Jacó para sempre, e não haverá fim do seu reino.” — Luc. 1:32, 33.

4 Jesus Cristo, contudo, não seria rei terrestre, sentando sobre um trono material como seu antepassado Davi. Não, mas depois de provar seu valor para ser rei por manter integridade à soberania de Deus até à morte, Deus o levantou dentre os mortos de forma a que regesse desde os céus. (Sal. 2:6-8; 110:1, 2; Heb. 10:12, 13) Durante seu ministério terrestre, Jesus sublinhou que o reino de Deus deveria ser celeste. Com efeito, disse ao sumo sacerdote judeu: “Vereis o Filho do homem sentado à destra de poder e vindo nas nuvens do céu.” — Mat. 26:64.

5 Visto ser celeste, o reino de Deus, portanto, não tem ligações com os governos políticos deste mundo. Jesus disse explicitamente a certo governante do mundo: “Meu reino não faz parte deste mundo. Se o meu reino fizesse parte deste mundo, meus assistentes teriam lutado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas, assim como é, o meu reino não é desta fonte.” (João 18:36) Em certa ocasião, Jesus se retirou para um local isolado de modo a evitar uma convocação popular para fazê-lo rei terrestre. — João 6:15.

6 Embora Jesus Cristo seja o principal regente no reino de Deus, dentre a humanidade são tiradas pessoas para juntar-se a ele no reino celeste de seu Pai. (João 14:2, 3) Há dezenove séculos atrás, quando Jesus terminava sua vida terrena, indicou que levaria os primeiros membros prospectivos do governo celeste de Deus a um pacto para aquele reino, afirmando a seus apóstolos fiéis: “Eu faço convosco um pacto, assim como meu Pai fez comigo um pacto, para um reino a fim de que comais e bebais à minha mesa, no meu reino.” — Luc. 22:28-30; 2 Tim. 4:18.

7 Que posição, poder-se-ia perguntar, usufruem estes junto com Jesus no reino de Deus? É uma posição exaltada, sendo  privilegiados a compartilhar intimamente com Jesus no trabalho designado pelo seu Pai. Descrevendo os que são levados ao pacto “para um reino” e que se provam fiéis, a Bíblia afirma: “Serão sacerdotes de Deus e do Cristo, e reinarão com ele por mil anos.” (Rev. 20:6) Sim, os conduzidos ao céu regem junto com Jesus Cristo. Servem quais reis e sacerdotes junto com ele. — Rev. 3:21; 2 Tim. 2:11, 12.

8 Entretanto, Jesus indicou que só haveria um número limitado de pessoas que seriam introduzidas no pacto “para um reino” a fim de ser regentes junto com ele. Referiu-se a elas como “pequeno rebanho”. (Luc. 12:32) Mais tarde, o ressuscitado Cordeiro de Deus, Jesus Cristo, mostrou numa visão ao apóstolo João quantos se associariam com ele no reino celeste. João escreveu: “E eu vi, e eis o Cordeiro em pé no Monte Sião, e com ele cento e quarenta e quatro mil, que têm o nome dele e o nome de seu Pai escrito nas suas testas. E estão cantando como que um novo cântico diante do trono . . . e ninguém podia aprender esse cântico, exceto os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da terra.” — Rev. 14:1, 3.

9 Este reino celeste de Deus assegurará que a vontade de Deus seja feita na terra, assim como se declara na oração que Jesus ensinou a seus seguidores. (Mat. 6:10) O rei designado, Jesus Cristo, se certificará de que os súditos terrestres do Reino sejam abençoados com paz, como mostra a profecia: “Nos seus dias florescerá o justo e a abundância de paz até que não haja mais lua. E terá súditos de mar a mar e desde o Rio até os confins da terra.” — Sal. 72:7, 8; Isa. 11:6-9.

10 A fim de o reino de Deus verdadeiramente abençoar as pessoas de disposição justa, a terra tem de ser livrada de todos os governos egoístas que oprimiram a humanidade já por tanto tempo. E, felizmente, isto será feito! A Palavra de Deus prediz: “Nos dias daqueles reis o Deus do céu estabelecerá um reino que jamais será arruinado. E o próprio reino não passará a qualquer outro povo. Esmiuçará e porá termo a todos estes reinos, e ele mesmo ficará estabelecido por tempo indefinido.” (Dan. 2:44) Na verdade, o reino de Deus é a única esperança da humanidade de obter paz e felicidade duradouras! Com boa razão, Jesus Cristo incentivou: “Persisti pois, em buscar primeiro o reino.” — Mat. 6:33.

Pode responder a estas perguntas? Para obter as respostas, leia o artigo acima.

(1) Como é destacada na Bíblia a importância do reino de Deus? (2) O que é correto que desejemos saber, e que informação fornece a profecia de Isaías? (3) Quem se mostrou ser o prometido regente de Deus, predito na profecia bíblica? (4) Como sabemos que o reino de Deus é celeste e não terrestre? (5) Que evidência existe de que o Reino não tem relação com os governos políticos deste mundo? (6) Haverá outros da terra junto com Jesus no reino celeste? (7) Em que posição servirão os que são introduzidos no pacto “para um reino”? (8) Quantas pessoas são introduzidas no pacto “para um reino” e usufruem a vida celeste junto com Jesus Cristo? (9) Que propósito cumprirá para com a terra o reino de Deus? (10) O que fará o reino de Deus a todos os governos humanos egoístas? Assim, que incentivo de Jesus devemos acolher?

O que é o espírito de vida do homem?


É NOITE. O povoado fidjiano está mergulhado nas trevas. Subitamente um grito revela que um espírito entrou de novo em Mereani. Em todas as choupanas, o povo temeroso e fascinado se junta à choupana de Mereani. Ali está ela, sentada, ereta, à luz dum lampião, jovem senhora casada que tem cerca de trinta anos. Seus olhos, incrivelmente injetados pela força que atua dentro dela, olham fixamente com uma intensidade ardente e avermelhada. Meia dúzia de homens fortes não conseguem segurá-la. Abre a boca e, com voz masculina profunda, de imponente autoridade, fala de forma vigorosa e avisa contra as ofensas aos costumes tribais. Para apaziguar o “tevoro” (diabo ou espírito) dentro dela, as pessoas temerosas lhe dão meio litro de bebida de uma raiz sagrada, que ela engole de uma só vez. Então, desmaia. Na manhã seguinte, Mereani não se lembra de nada da noite anterior.

2 Este incidente verdadeiro é típico do que acontece às vezes nas Ilhas Fidji. Embora os fidjianos professem ser cristãos, ainda crêem no “tevoro”, palavra relacionada com a palavra inglesa “devil” (“diabo”). Para a maioria deles, significa o “espírito” de um humano morto. Crêem que tal espírito pode causar dano ou fazer o bem aos vivos. Muitos fidjianos aprenderam isto desde a infância.

3 Por exemplo, muitos fidjianos crêem que o espírito dum homem morto possa levantar-se do túmulo na quarta noite (“Bogi Va”), quando se realiza uma festa de apaziguamento. Depois disso, o espírito está livre para ir de um lado para o outro, e fixar residência em algum lugar escuro, preferivelmente numa grande árvore “baka”. Esta espécie copada e enorme de figueira, na escuridão da noite, se presta idealmente a tais crenças.

4 Há crenças correspondentes em outras ilhas do sul do Pacífico. Em Samoa, fazem-se esforços especiais de “depositar o espírito” num descanso permanente, de modo que não cause mais dano. Eles exumarão os ossos dum morto e os ensoparão de água fervente. Num caso recente no Taiti, fez-se um buraco no túmulo, penetrando no caixão, e colocou-se longo cano no buraco, para levar água fervente para dentro do caixão. Esperava-se que o espírito de certa avó recentemente falecida deixasse de causar a doença mortífera em um dos seus netinhos.

5 Que faz com que as pessoas sustentem tais crenças? Uma das razões principais é que em todas as partes da terra há inegáveis fenômenos psíquicos. Estas ocorrências fantásticas são tidas como evidência de que os espíritos dos mortos continuam a viver. Outra razão é que muitos não sabem o que a Bíblia ensina sobre tais assuntos. Alguns até mesmo interpretam erroneamente o que ela diz. Não obstante, se a pessoa realmente quiser saber a verdade sobre o que acontece ao homem quando ele morre, tem de voltar-se para a Bíblia e deixar que ela fale por si. Somente ela contém as idéias Daquele que sabe, por ter criado o homem. Também, explica verazmente o que é o espírito de vida do homem e o que acontece com este por ocasião da morte. — Isa. 45:11, 12.

6 Note primeiro que a Bíblia não atribui qualquer idéia de imperecebilidade, imortalidade ou indestrutibilidade à palavra “alma”. Não, a Bíblia não fala da alma como algo que vive depois da morte. Antes, mostra que a alma é a própria criatura vivente, seja ela peixe, ave, animal ou homem. (Gên. 1:20, 24; 2:7) Com efeito, Deus enfaticamente nos diz que “a alma que pecar — ela é que morrerá”. — Eze. 18:4, 20.

7 Não obstante, alguns talvez pensem que Eclesiastes 12:7 apóie a idéia de que o espírito de vida do homem continue a viver conscientemente após a morte: “Então o pó retorna à terra, assim como veio a ser, e o próprio espírito retorna ao verdadeiro Deus que o deu.” Arrazoam que, se o espírito de vida do homem retorna para o verdadeiro Deus, então não seria capaz de outro movimento ou ação? Não seria capaz de retornar para visitar a vizinhança dos parentes do homem morto?

8 Em realidade, tal raciocínio não é nada mais que simples especulação. É ler em tal versículo algo que não existe nele. Será que diz que o espírito de vida do homem vai para seu anterior povoado ou lar e assume residência numa vizinha árvore “baka”, ou diz que retorna para Deus? O que Deus diz sobre este assunto em Sua Palavra é a verdade. — Tito 1:2; Núm. 23:19.

9 Eclesiastes 9:5, 6, 10 diz explicitamente que os mortos são impotentes, inativos e não sentem quaisquer emoções. O que, então, é este espírito e como é que retorna para Deus? O espírito a que se refere Eclesiastes 12:7 não é a alma, a própria criatura vivente, mas é a impessoal força de vida nas células do corpo do homem que eventualmente deixa o corpo por ocasião da morte. Visto que Deus é o único que tem o poder de restaurar esta força de vida a uma pessoa, por ocasião da morte, ela vem a estar sob a jurisdição de Deus. Depende agora de Jeová Deus, por meio de seu Juiz, Jesus Cristo, decidir se ressuscitará tal pessoa. — João 5:21.

10 Poderíamos ilustrar isto pelo caso de alguém que empresta um objeto a um amigo. Quando o amigo vem devolvê-lo, o dono talvez lhe peça que o deixe à porta de sua choupana. Embora a pessoa que o pediu emprestado não o tenha colocado nas mãos do dono, o objeto se acha mais uma vez de posse do proprietário e sob a sua jurisdição. Assim se dá com a força de vida do homem por ocasião da morte; ela ‘volta para Deus’.

11 Neste ponto, alguns talvez fiquem admirados, pensando nos incidentes fantásticos que envolvem espíritos. O fato é que estes são obra de demônios, de espíritos iníquos. Tais forças más personificam astutamente as pessoas humanas mortas, no esforço concentrado de fazer parecer que os mortos vivem e que Deus mente. Com freqüência, dominam as pessoas, como no exemplo dado no primeiro parágrafo, para dar força a suas sórdidas pretensões. — Efé. 6:12.

12 A fim de evitar colocar-nos sob a perigosa influência dos demônios, precisamos armar-nos das verdades da Bíblia. O curso gratuito de estudo bíblico domiciliar durante seis meses, oferecido pelas testemunhas de Jeová, o ajudará a fazer isto. Tire sabiamente proveito deste arranjo agora, no curto tempo que resta antes que Deus destrua este perverso sistema de coisas. Será ricamente abençoado por assim fazer. — João 17:3.

Pode responder a estas perguntas? Para obter as respostas, leia o artigo acima.

(1) Que fenômeno estranho ocorreu num povoado fidjiano certa noite? (2) Os fidjianos acreditam que um espírito pode fazer o que para os vivos? (3) Quando acham que o espírito está livre para ir de uma parte para outra? (4) Como é que os samoanos tentam “depositar o espírito” num descanso permanente? (5) Por que são mantidas tais crenças? (6) O que diz a Bíblia sobre a alma? (7) Como é que alguns raciocinam sobre Eclesiastes 12:7? (8) Por que é absurdo crer-se que o espírito de vida do homem retorne para seu povoado? (9) O que é o espírito de vida, e como retorna para Deus? (10) O que pode ilustrar o retorno do espírito para Deus? (11) Quem é responsável pelos fenômenos fantásticos, e por quê? (12) O que devemos fazer a fim de evitar ficarmos sob a influência demoníaca?

O iníquo é resgate para o justo


NÃO seria estranho se um iníquo provesse um resgate para um justo? Por certo, os homens de mente ruim, egoístas, dificilmente considerariam proveitoso ajudar voluntariamente os outros sem também tirarem proveito. Por conseguinte, é contrário a seus desejos que se cumpram neles as palavras de Provérbios 21:18: “O iníquo é resgate para o justo; e quem age traiçoeiramente toma o lugar dos retos.” Mas, como isto acontece?

Falando-se em geral, os desejos de promover seus interesses egoístas, sem consideração pelo dano causado ao próximo, jamais se submeteriam por sua própria vontade a um arranjo que significasse perda para si mesmos e lucro para outros. A libertação do justo, portanto, só pode vir às custas daqueles que direta ou indiretamente os ferem ou destroem. Tem de haver uma inversão dos assuntos, sendo o justo preservado às custas da vida do iníquo.

Vários exemplos bíblicos ilustram como isto aconteceu no passado. Por exemplo, no tempo do Império Medo-Persa, altas autoridades e sátrapas tramaram contra o profeta Daniel, em virtude de ter ele uma posição governamental de muita proeminência. Tiveram êxito em fazer com que o Rei Dario assinasse um interdito que decretava a morte na cova dos leões das pessoas que fizessem petição a qualquer deus ou homem a não ser o próprio rei, durante trinta dias. Mas, Daniel continuou a adorar a seu Deus, Jeová, erguendo-lhe petições três vezes ao dia como era seu hábito antes de ser assinada a lei. Embora fosse lançado na cova dos leões por transgredir este decreto injusto, Daniel foi libertado por um anjo da morte certa. Daí, veio a inversão. O rei Dario ordenou que os próprios tramadores iníquos fossem lançados na cova dos leões. Sua morte resgatou ou libertou Daniel de todo dano possível futuro que eles sem dúvida lhe teriam causado. — Dan. 6:1-24.

Similarmente, num período posterior, a vida de todos os judeus corria perigo. Um agagita chamado Hamã foi elevado à posição de primeiro-ministro durante o reinado do persa Rei Assuero (que se considera ser Xerxes I). Irado com a recusa do judeu Mordecai de curvar-se perante ele, Hamã procurou causar a morte de Mordecai e de todos os outros judeus no império. Falou mal deles diante de Assuero, como sendo violadores indesejáveis da lei e, então, acrescentou: “Se parecer bem ao rei, escreva-se que sejam destruídos; e eu pagarei dez mil talentos de prata  nas mãos dos que fizerem a obra, trazendo-os ao tesouro do rei.” Dali, Assuero deu poder a Hamã que expedisse um decreto para o aniquilamento de todos os judeus, “tanto o moço como o velho, pequeninos e mulheres”. — Ester 3:1-13.

Mas, logo, inverteram-se as posições para o conspirador. A Rainha Ester, que era também prima de Mordecai, apelou a seu marido Assuero que lhe salvasse a vida e a de seu povo, e identificou Hamã como o originador da trama assassina contra eles. O rei enraivecido ordenou que Hamã fosse enforcado na própria estaca que fizera para enforcar Mordecai. O cargo de primeiro-ministro foi então dado a Mordecai, e ele e Ester receberam depois a autorização real para redigirem um contradecreto para que os judeus se defendessem de seus inimigos na ocasião em que a lei de seu extermínio entrasse em vigor, em 13 de adar. Quando chegou aquele dia, os judeus lutaram por sua vida e mataram os que procuraram causar-lhes dano. — Ester 7:3-9:2.

Embora Daniel, e, mais tarde, Mordecai e os outros judeus, experimentassem um resgate quase que imediato ou libertação às custas de seus inimigos, isto nem sempre aconteceu. Durante os cerca de seis mil anos da história humana, os iníquos mataram muitos justos. Cristo Jesus até mesmo disse concernente a seus seguidores: “Então vos entregarão à tribulação e vos matarão, e sereis pessoas odiadas por todas as nações, por causa do meu nome.” — Mat. 24:9.

Mas, será que o fato de Deus permitir que os justos sofram lhes dá o direito de revoltar-se, obrigando seus opressores a se tornarem um resgate para eles? Não. Até mesmo no caso de Daniel e no de Mordecai, e de seus companheiros judeus, a libertação veio por meios legais. Não tomaram a lei em suas próprias mãos.
Similarmente, os verdadeiros cristãos hodiernos se sujeitam aos governos que regem sobre eles e apelam a estes para livrarem-se de injustiças. Visto que tais governos existem pela permissão de Deus, exercem corretamente a autoridade de punir os violadores da lei e podem, como fizeram Dario e Assuero, livrar as pessoas acatadoras da lei às custas dos anárquicos. — Rom. 13:1-4.

Ilustra isto a seguinte experiência que há pouco tiveram as testemunhas de Jeová em certa área de Camarões (África). As autoridades locais prenderam onze de seus membros e tentaram obrigá-los a assinar declarações renunciando à sua religião. Cerca de quatro semanas depois, uma das testemunhas de Jeová foi assassinada. Depois de investigações governamentais, para grande surpresa da populaça, o deputado local (membro da assembléia legislativa) foi preso e encarcerado. Outras autoridades importantes também foram presas. No julgamento, o deputado confessou o assassinato e foi subseqüentemente condenado à morte. Mas, antes da hora da execução, cometeu suicídio em sua cela da prisão. Outros envolvidos no caso receberam longas sentenças de prisão. Por outro lado, aqueles dentre as testemunhas de Jeová que haviam sido injustamente presos, foram soltos e incentivados a continuar sua atividade de pregação.

No entanto, até mesmo quando a autoridade governamental se recusa a fazer justiça e se torna perseguidora dos fiéis servos de Deus, isto não concede ao cristão qualquer base para tomar os assuntos em suas próprias mãos. Um motivo muito bom para isso é que os cristãos não podem determinar se qualquer opositor, até mesmo o pior perseguidor, permanecerá sendo tal. Um dos mais zelosos cristãos do primeiro século, o apóstolo Paulo, disse a respeito de seu anterior proceder: ‘Eu era anteriormente blasfemador, e perseguidor, e homem insolente.’ (1 Tim. 1:13) E, atualmente, muitos anteriores perseguidores servem agora fielmente a Jeová Deus. Por conseguinte, se os cristãos retaliassem na mesma moeda, poderiam na verdade ferir pessoas que de outra forma talvez mudassem seu proceder e, como Paulo, contribuíssem grandemente para o progresso da adoração verdadeira.

Assim, ao enfrentar a perseguição e outros abusos às mãos dos homens, os verdadeiros cristãos avaliam que a misericordiosa paciência de Deus fornece a mais pessoas a oportunidade de abandonarem seu iníquo modo de agir. (2 Ped. 3:9) Pacientemente, aguardam que Jeová Deus aja contra os transgressores voluntários de suas leis justas. Assim, às custas das vidas dos iníquos, os fiéis servos de Deus serão para sempre resgatados ou libertos da tribulação às mãos deles. — 2 Tes. 1:6-9.

O espírito de Deus — um relembrador e instrutor


O ESPÍRITO SANTO atua tanto qual relembrador como instrutor. Disse Jesus a seus discípulos: “O ajudador, o espírito santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar todas as coisas que eu vos disse.” — João 14:26.

Durante os três anos e meio de seu ministério terrestre, Jesus treinou seus apóstolos a continuar a obra que iniciou. Como humanos imperfeitos, não podiam lembrar-se de todo pormenor de seu ensino. Mas, a promessa de Jesus indicava que o espírito de Deus lhes ensinaria tudo que precisassem saber para realizar seu ministério. Em especial, desvendaria ao entendimento deles o que ouviram previamente, mas não entenderam. Como relembrador, o espírito santo os faria lembrar coisas que Jesus dissera quando estava com eles. E, como instrutor, mostrar-lhes-ia a aplicação correta de suas palavras. — Veja João 2:19-22.

Ao serem levados perante assembléias públicas, reis e homens em elevadas posições governamentais, os discípulos de Jesus poderiam contar confiantemente com o espírito de Deus como relembrador e instrutor. Como amigo, faria que se lembrassem das coisas a dizer e os ajudaria a fazer aplicações apropriadas. Isto resultaria em se dar um bom testemunho e também silenciaria os opositores. (Mat. 10:18-20; Luc. 12:11, 12; 21:13-15) Portanto, Pedro e João puderam falar intrepidamente quando interrogados pelo mais elevado tribunal judaico, o Sinédrio, sobre terem curado um homem aleijado de nascença. Sua franqueza no falar era algo completamente inesperado de homens iletrados e comuns. Causou admiração aos membros do Sinédrio. E as palavras de Pedro, combinadas com a presença do homem curado, deixaram esses homens cultos sem ter o que dizer em refutação. — Atos 4:5-14.

Entretanto, embora o espírito de Deus servisse de relembrador e instrutor em benefício de cristãos individuais, não instruiu cada um, separadamente, em assuntos doutrinais e procedimentos de organização. Mas, a operação do espírito de Deus sobre os apóstolos e outros homens maduros da congregação de Jerusalém tornou possível prover o ensino do espírito santo, muitas vezes em forma escrita, para a edificação e instrução de todos.

Um caso em pauta é a maneira em que se cuidou da questão da circuncisão. Quando alguns contenderam que os não judeus deviam ser circuncidados e ordenados a obedecer à lei mosaica, os associados à congregação em Antioquia não esperavam uma revelação pessoal da parte de Deus. Antes, a fim de obterem o ponto de vista correto, enviaram Paulo e Barnabé a Jerusalém, ao corpo governante da primitiva congregação cristã, composto dos apóstolos e outros homens maduros. — Atos 15:1, 2.

Numa reunião presidida pelo discípulo Tiago, o assunto foi considerado cabalmente. Depois de considerável disputa, Pedro indicou que os primeiros não judeus a quem pregara receberam o espírito santo enquanto se achavam no estado incircunciso. Então Paulo e Barnabé relataram “os muitos sinais e portentos que Deus fizera por intermédio deles entre as nações”. (Atos 15:7-12) É digno de nota que todos os três homens agiram sob a direção do espírito santo quando pregaram aos gentios, Pedro sendo até mesmo instruído por meio de uma visão que era correto assim fazer. Portento, o espírito de Deus estava realmente ensinando que as pessoas incircuncisas podiam tornar-se povo para o nome de Deus. — Atos 10:9-48; 13:2-4.

O discípulo Tiago reconheceu nisto a inconfundível liderança do espírito santo de Deus e também um cumprimento de profecia. Disse ele: “Irmãos, ouvi-me. Simeão tem relatado cabalmente como Deus, pela primeira vez, voltou a sua atenção para as nações, a fim de tirar delas um povo para o seu nome. E com isso concordam as palavras dos Profetas, assim como está escrito: ‘Depois destas coisas voltarei e reconstruirei a barraca de Davi, que está caída; e reconstruirei as suas ruínas e a erguerei de novo, a fim de que os remanescentes dos homens possam buscar seriamente a Jeová, junto com pessoas de todas as nações, pessoas chamadas por meu nome, diz Jeová, que está fazendo estas coisas, conhecidas desde a antiguidade.’” — Atos 15:13-18; compare isso com Amós 9:11, 12, LXX.

A profecia a respeito de pessoas das nações tornarem-se povo para o nome de Deus foi registrada sob inspiração do espírito santo. E o espírito de Deus ajudou Tiago a relembrar esta profecia e a entender sua aplicação. Conseqüentemente, a decisão de Tiago, de que a circuncisão era desnecessária para os cristãos gentios, concordou com o ensino do espírito de Deus. — Atos 15:19, 20.

Apropriadamente, a carta que continha a decisão declarava: Pois, pareceu bem ao espírito santo e a nós mesmos não vos acrescentar nenhum fardo adicional, exceto as seguintes coisas necessárias: de vos absterdes de coisas sacrificadas a ídolos, e de sangue, e de coisas estranguladas, e de fornicação.” (Atos 15:28, 29) A aderência ao que o espírito santo ensinou, conforme delineado pelo corpo governante, fortaleceu as congregações na fé e trouxe aumento. — Atos 6:4, 5.

Visto que toda a Palavra de Deus foi escrita sob inspiração (2 Tim. 3:16), só ela contém o ensino do espírito. Isto exclui todo ensino que colida com a Palavra de Deus. Foi com referência a falsos instrutores, conforme mostra claramente o contexto, que o apóstolo João escreveu: “Não necessitais de que alguém vos ensine; mas, como a unção da parte dele vos ensina todas as coisas, e é verdadeira e não é mentira, e assim como vos tem ensinado, permanecei em união com ele.” — 1 João 2:27.

Aqueles cristãos do primeiro século foram ungidos com o espírito de Deus. Vieram a conhecer tanto a Jeová Deus como a seu Filho, Cristo Jesus. Estavam plenamente familiarizados com a verdade de Deus. Assim, não precisavam de pessoas como instrutores que negavam o Pai e o Filho. Tais instrutores só os desencaminhariam do que sabiam ser a verdade conforme ensinada pelo espírito de Deus e claramente delineada nos Escritos Sagrados. — 1 João 2:18-26.

Semelhantemente, os servos de Jeová hoje em dia não precisam da instrução de pessoas que negam a Deus e sua Palavra e, assim, se opõem ao que o espírito santo ensina. Conhecendo a verdade, não perdem tempo em pesquisar os escritos de homens ímpios que se destinam a destruir a fé. Mas, como os cristãos do primeiro século foram fortalecidos na fé pelas cartas do corpo governante ou membros dele, assim também hoje as testemunhas de Jeová são edificadas pelos compêndios para o estudo da Bíblia, publicados pela Sociedade Torre de Vigia e que contêm o ensino do espírito santo conforme encontrado nas Sagradas Escrituras. Individualmente, também, podem ficar certos de que o espírito de Deus os fará lembrar as verdades bíblicas e sua correta aplicação para que possam fazer uma defesa perante todo aquele que exigir uma razão para sua esperança. Deveras, o espírito de Deus continua a ser um relembrador e instrutor para seu povo.

A terra ao invés de ficar arruinado, será transformado num paraíso.


A TERRA dada por Deus à nação de Israel não era nenhum deserto. Moisés a descreveu como “terra boa, uma terra de vales de torrentes de água, de fontes de água de profundeza surgindo no vale plano e na região montanhosa, uma terra de trigo e de cevada, e de videiras, e de figos, e de romãs, uma terra de azeitonas e de mel”. — Deu. 8:7, 8.

Entretanto, apenas se os israelitas continuassem a servir a seu Deus, Jeová, em fidelidade, a terra permaneceria um paraíso virtual. Predisse-se que a desobediência de sua parte resultaria na completa desolação de sua terra dada por Deus, transformando-a de uma bela região em um deserto descuidado. Provou-se veraz tal aviso profético? — Lev. 26:33-35.

Em cumprimento da palavra profética, cerca de novecentos anos depois de Moisés a ter registrado, o ano 607 A. E. C. viu os babilônios conquistarem Judá e Jerusalém. Os judeus sobreviventes, exceto os mais pobres, foram levados ao exílio babilônico. Nabucodonosor designou Gedalias como governador para os que foram deixados lá. Depois do assassinato de Gedalias, os judeus que ainda permaneciam na terra, temendo castigo às mãos dos caldeus por causa do assassinato, fugiram para o Egito. A desolação predita se tornou completa. — Jer. 39:8-10; 40:5; 41:2; 43:2-7.

Mas, não era do propósito de Jeová que a terra permanecesse um deserto desabitado. Mais de um século antes da destruição de Jerusalém, o profeta Isaías escreveu: “O ermo e a região árida exultarão.” (Isa. 35:1; veja-se também Isaías 51:3.) O cumprimento desta profecia exigia a libertação dos judeus exilados, de forma que pudessem retornar à sua terra natal desolada. Assim como a terra pranteara por sua desolação, assim deveria exultar ao deixar de ser um deserto desabitado. — Isa. 24:1, 3, 4; 33:8, 9.

Do ponto de vista humano, contudo, a transformação do deserto em um paraíso edênico talvez parecesse improvável. A libertação do exílio era impossível enquanto Babilônia continuasse a existir como potência mundial. Todavia, mesmo depois de quase sete décadas se passarem da predita desolação da terra por setenta anos, a cidade capital de Babilônia permanecia aparentemente inexpugnável. (Jer. 29:10) Assim, muitos judeus deram provavelmente lugar a dúvidas concernentes a uma futura restauração. Mas, qualquer um com mãos frágeis, joelhos vacilantes e coração ansioso podia derivar conforto das palavras adicionais de Isaías: “Sede fortes. Não tenhais medo. Eis que vosso próprio Deus chegará com a própria vingança, Deus, até mesmo com retribuição. Ele mesmo chegará e vos salvará.” — Isa 35:3, 4.

Veraz à sua Palavra, em 539 A. E. C., Jeová Deus veio realmente com a própria vingança contra Babilônia por meio de várias nações, inclusive os medos e os persas. Ciro liderou os exércitos, o próprio homem a quem Jeová, mediante Isaías, anunciara nominalmente como conquistador de Babilônia, cerca de dois séculos antes. Também, em cumprimento da profecia, Ciro desviou o Eufrates de seu leito através de Babilônia, secando-o, por assim dizer, e assim habilitou os exércitos conquistadores a marcharem pelo leito do rio e entrarem pelas portas da cidade, que, estranhamente, haviam sido deixadas abertas. — Isa. 13:17; 21:2; 44:27-45:6.

Pouco depois, em 537 A. E. C., o decreto de Ciro que permitia que os  exilados judeus voltassem a sua terra natal e reconstruíssem o templo de Jerusalém, entrou em vigor. Um fiel restante imediatamente o acatou. Não mais eram espiritualmente cegos, surdos, coxos e mudos. (Isa. 35:5, 6) Com os olhos, prontamente reconheceram a seu Deus Jeová e a libertação que lutara por eles. (Isa. 52:6) Seus ouvidos ouviram e acataram sua ordem profética de abandonar Babilônia. (Isa. 52:11; Jer. 50:8; 51:6) Por andarem de acordo com a vontade de Jeová, não mais ficaram afligidos de coxeadura, devido a se desviarem da vereda da justiça. (Isa. 42:24; Heb. 12:13) Embora fossem outrora mudos, começaram a relatar o que Jeová fizera em seu favor. — Isa. 43:20, 21; 48:20.

Particularmente depois de restaurados à sua terra dada por Deus, os judeus fiéis podiam falar sobre a maravilhosa libertação feita por Jeová e como os guiou de volta de Babilônia. Embora Jeová os tivesse aparentemente trazido através duma rota direta do deserto, o restante judeu não sofrera sede.
Milagrosamente, Jeová fez com que a água fluísse da própria rocha. Pelo caminho, também os protegeu contra os animais selvagens. A rota pela qual Jeová Deus os guiara resultara ser o ‘Caminho da Santidade’, porque apenas seus servos limpos e arrependidos passaram por ele. — Isa. 35:6-9; 43:19; 48:21.

Que causa abundante de exultação e júbilo possuía o povo redimido de Deus, portanto! Como povo liberto, não mais sentiam o pesar e o clamor como cativos de Babilônia. Jeová se provara veraz a sua promessa. Havia deveras feito que o deserto exultasse por reavivá-lo com jubilantes repatriados israelitas e seus animais domésticos. — Isa. 35:10.

Esta grandiosa transformação da terra de Judá de um estado desértico também significava que uma “nova terra” viera a existir. Isto se dá porque “terra”, conforme o uso bíblico, não raro denota a seção do globo habitada pelos israelitas. (Isa. 24:1, 3-6, nota marginal da ed. 1958 da NM, em inglês.) Assim, quando Jeová os restabeleceu firmemente em sua terra, com efeito, ‘lançara, o alicerce da terra’. Sobre esta “terra” de israelitas repatriados regiam “novos céus”, pois Jeová, por meio do Governador Zorobabel e do Sumo Sacerdote Josué, dirigia e superintendia o povo submisso. — Isa. 51:16; 65:17; 66:22; Ageu 1:1, 14.

O que Jeová Deus fez pelos israelitas lá naquele tempo, no sexto século A. E. C., não é simples história morta. Deveria haver ainda um futuro cumprimento destas profecias da restauração. Escreveu o apóstolo Pedro: “Há novos céus e uma nova terra que aguardamos segundo a sua promessa, e nestes há de morar a justiça.” (2 Ped. 3:13) Por certo, a terra atualmente não é menos um deserto do que era a terra desolada de Judá. Está cheia de pessoas selvagens e prejudiciais ao próximo, e abunda de frutos ruins. Há verdadeira necessidade de uma administração justa que assuma os assuntos da terra e erradique por completo toda a perversidade.

Por conseguinte, é confortador notar que o propósito de Deus é lançar “novos céus e uma nova terra”. Isto significa que o governo justo de Deus, seu Reino, como “novos céus” regerá a “nova terra”, a sociedade de súditos leais de sua administração. Então este planeta, falando-se figuradamente, não mais pranteará por ter sido reduzido a um estado desértico pelos homens perversos. Ao invés de ficar arruinado, será transformado num paraíso. As lágrimas e o pesar cederão seu lugar ao regozijo e à exultação. Cheio de súditos felizes e leais do reino de Deus, o anterior deserto exultará. — Rev. 11:18; 21:1, 4, 5.

Nadabe e Abiú — exemplos admoestadores


OS NOMES de Nadabe e Abiú não se acham entre os nomes bíblicos mais conhecidos. Além de estarem alistados nas genealogias bíblicas, só são mencionados em relação com três breves incidentes. Mas, estes poucos incidentes bastam para fazer com que o registro bíblico sobre eles seja significativo para todos os interessados em agradar a Jeová Deus e em ganhar a vida interminável.

Nadabe e Abiú, junto com Eleazar e Itamar, eram filhos do primeiro sumo sacerdote de Israel, Aarão, o irmão do profeta Moisés. Como filhos de Aarão, compartilhavam sua honra, pois eram seus sacerdotes auxiliares. E Nadabe, o primogênito, era o próximo em linha para ser sumo sacerdote, ao morrer seu pai. — Êxo. 28:1.

Para começar, Nadabe e Abiú foram especialmente favorecidos em se familiarizar com Jeová Deus de forma ímpar logo no início da peregrinação de Israel pelo deserto. Foram incluídos quando Deus convidou Moisés, Aarão e setenta “homens mais maduros” de Israel para se encontrarem com ele no Monte Sinai. Daí, estes “homens distintos . . . tiveram uma visão do verdadeiro Deus, e comeram e beberam”. Assim, Nadabe e Abiú foram aqui honrados como se achando entre os muito mais idosos “homens distintos” de Israel. — Êxo. 24:1-11.

No ano seguinte, Aarão e seus quatro filhos foram empossados no sacerdócio, impressiva cerimônia testemunhada por todo o Israel. Isto de novo fez com que Nadabe e Abiú, bem como seus irmãos e seu pai, gozassem de incomum proeminência. Daí, todos os cinco tiveram de permanecer na entrada da tenda da reunião por sete dias. No oitavo dia, começaram a atuar como sacerdotes, oferecendo sacrifícios a favor de Israel. — Lev. 8:1-9:24.

Aparentemente, antes desse oitavo dia terminar, Nadabe e Abiú passaram a agir segundo sua própria iniciativa. Assumiam um conceito frívolo destas atividades solenes, ou lhes subira à cabeça toda esta proeminência, fazendo com que agissem com orgulho e ambição? Presunçosamente “Nadabe e Abiú apanharam e trouxeram cada um seu porta-lume, e puseram fogo neles e colocaram incenso sobre ele, e começaram a oferecer fogo ilegítimo perante Jeová, que ele não lhes tinha prescrito. Saiu então fogo de diante de Jeová e os consumiu.” — Lev. 10:1, 2.

Que preço a pagar por deixarem de apreciar sua própria posição! É evidente que se sentiam como muitos jovens hodiernos, que acham que sabem mais do que seus pais e, assim, não precisam voltar-se para eles em busca de instrução e orientação, e assumem a liderança. É óbvio que Nadabe e Abiú também não tinham amor nem respeito pelo seu pai, ou teriam notado sua reverência pela adoração de Jeová e jamais teriam sequer pensado em oferecer incenso que Deus não lhes tinha prescrito.

Poderia ser que, contribuindo para sua falta de respeito pelos sérios aspectos do serviço sacerdotal, achava-se o beberem vinho ou outra bebida semelhante nessa ocasião. Isto talvez os movesse a se sentirem frívolos e a fazer algo tão presunçoso e precipitado, como oferecer fogo ilegítimo. Pelo menos, isto parece ser subentendido pelas instruções de Jeová a Aarão pouco depois deste incidente: “Não bebas vinho, nem bebida inebriante, nem tu nem teus filhos, quando entrares na tenda de reunião, para que não morrais. É um estatuto por tempo indefinido para as vossas gerações, tanto para se fazer diferença entre o santo e o profano, e entre o impuro e o puro, como para se ensinar aos filhos de Israel todos os regulamentos que Jeová lhes falou por meio de Moisés.” — Lev. 10:8-11.

Visto que o apóstolo Paulo nos assegura que “estas coisas lhes aconteciam como exemplos, e foram escritas como aviso para nós, para quem já chegaram os fins dos sistemas de coisas”, o que podemos aprender do proceder de Nadabe e Abiú? — 1 Cor. 10:11.

Mais de uma coisa. Primeiro de tudo, poder-se-ia dizer que havia nele um aviso subentendido para todos os primogênitos não pensarem demasiado de si mesmos. É bem provável que Nadabe, o primogênito, liderasse nessa questão. Entre outros primogênitos que não se provaram bons, acha-se Caim, o primogênito de Adão; Esaú, o primogênito de Isaque; Rubem, o primogênito de Jacó, e Amom, o primogênito do Rei Davi.

Há também no registro uma lição para todos os jovens, para mostrarem respeito aos mais velhos, para se voltarem para eles em busca de orientação, especialmente se forem pais tementes a Deus. Os jovens devem cuidar de não permitir que se crie um “conflito de gerações” entre eles e seus pais e outros mais velhos” pois este conflito conduz a que ajam de forma errada. Meridianamente, a Palavra de Deus aconselha: “Honra a teu pai e a tua mãe.” “Observa, filho meu, o mandamento de teu pai, e não abandones a lei de tua mãe.” Certamente, se Nadabe e Abiú tivessem esta atitude mental para com seu pai, não viriam a sofrer pesar. — Êxo. 20:12; Pro. 6:20.

Neste registro, acha-se também contido um aviso contra a presunção, pois ilustra o princípio: “Chegou a presunção? Então chegará a desonra.” (Pro. 11:2) Caso sejamos favorecidos com privilégios especiais, ou tenhamos destaque incomum, não devemos permitir que isto nos dê um conceito muito elevado de nós mesmos. Não raro, tais pessoas desejam dizer a seus superiores o que estes devem fazer, ao invés de modestamente avaliarem a necessidade de obterem orientação.

E, por fim, há o aviso do perigo de se ser indevidamente influenciado pelas bebidas alcoólicas. Na verdade, a Bíblia nos diz que uma das dádivas de Deus é o vinho que “alegra o coração do homem mortal”, e que devemos dar “vinho aos amargurados de alma”. Também se nos diz que um pouco de vinho é bom para as aflições estomacais e outros males. — Sal. 104:15; Pro. 31:6; 1 Tim. 5:23.

Mas, será sábio tomar vinho ou qualquer outra bebida alcoólica quando a pessoa tem sérios deveres a cumprir, quando precisa pensar com clareza e ter firme controle de suas faculdades físicas e mentais? O Dr. M. A. Block, autoridade sobre o efeito do álcool sobre o corpo, diz que “o álcool eleva a pessoa do estado de realidade para um estado mental mais agradável e desejável”, e que “com álcool em seu sangue, o motorista talvez ache que está agindo melhor, quando, em realidade, está agindo pior”.

Sim, as bebidas alcoólicas estimulam as emoções e deprimem os processos mentais. Não é sem boa razão que o sábio Rei Salomão observou: “O vinho [usado em excesso] é zombador, a bebida inebriante é turbulenta e quem se perde por ele não é sábio.” Os cristãos, por conseguinte, devem ser cuidadosos, tanto quanto à ocasião como quanto à quantidade que ingerem de tais bebidas. E seria parte da discrição não se entregarem a tais bebidas pouco antes ou enquanto se empenham no ministério, assim evitando causar desnecessária ofensa. — Pro. 20:1.

Na verdade, muito se pode aprender dos exemplos admoestadores de Nadabe e Abiú, conforme se encontram na Palavra de Deus, a Bíblia.


OS NOMES de Nadabe e Abiú não se acham entre os nomes bíblicos mais conhecidos. Além de estarem alistados nas genealogias bíblicas, só são mencionados em relação com três breves incidentes. Mas, estes poucos incidentes bastam para fazer com que o registro bíblico sobre eles seja significativo para todos os interessados em agradar a Jeová Deus e em ganhar a vida interminável.

Nadabe e Abiú, junto com Eleazar e Itamar, eram filhos do primeiro sumo sacerdote de Israel, Aarão, o irmão do profeta Moisés. Como filhos de Aarão, compartilhavam sua honra, pois eram seus sacerdotes auxiliares. E Nadabe, o primogênito, era o próximo em linha para ser sumo sacerdote, ao morrer seu pai. — Êxo. 28:1.

Para começar, Nadabe e Abiú foram especialmente favorecidos em se familiarizar com Jeová Deus de forma ímpar logo no início da peregrinação de Israel pelo deserto. Foram incluídos quando Deus convidou Moisés, Aarão e setenta “homens mais maduros” de Israel para se encontrarem com ele no Monte Sinai. Daí, estes “homens distintos . . . tiveram uma visão do verdadeiro Deus, e comeram e beberam”. Assim, Nadabe e Abiú foram aqui honrados como se achando entre os muito mais idosos “homens distintos” de Israel. — Êxo. 24:1-11.

No ano seguinte, Aarão e seus quatro filhos foram empossados no sacerdócio, impressiva cerimônia testemunhada por todo o Israel. Isto de novo fez com que Nadabe e Abiú, bem como seus irmãos e seu pai, gozassem de incomum proeminência. Daí, todos os cinco tiveram de permanecer na entrada da tenda da reunião por sete dias. No oitavo dia, começaram a atuar como sacerdotes, oferecendo sacrifícios a favor de Israel. — Lev. 8:1-9:24.

Aparentemente, antes desse oitavo dia terminar, Nadabe e Abiú passaram a agir segundo sua própria iniciativa. Assumiam um conceito frívolo destas atividades solenes, ou lhes subira à cabeça toda esta proeminência, fazendo com que agissem com orgulho e ambição? Presunçosamente “Nadabe e Abiú apanharam e trouxeram cada um seu porta-lume, e puseram fogo neles e colocaram incenso sobre ele, e começaram a oferecer fogo ilegítimo perante Jeová, que ele não lhes tinha prescrito. Saiu então fogo de diante de Jeová e os consumiu.” — Lev. 10:1, 2.

Que preço a pagar por deixarem de apreciar sua própria posição! É evidente que se sentiam como muitos jovens hodiernos, que acham que sabem mais do que seus pais e, assim, não precisam voltar-se para eles em busca de instrução e orientação, e assumem a liderança. É óbvio que Nadabe e Abiú também não tinham amor nem respeito pelo seu pai, ou teriam notado sua reverência pela adoração de Jeová e jamais teriam sequer pensado em oferecer incenso que Deus não lhes tinha prescrito.

Poderia ser que, contribuindo para sua falta de respeito pelos sérios aspectos do serviço sacerdotal, achava-se o beberem vinho ou outra bebida semelhante nessa ocasião. Isto talvez os movesse a se sentirem frívolos e a fazer algo tão presunçoso e precipitado, como oferecer fogo ilegítimo. Pelo menos, isto parece ser subentendido pelas instruções de Jeová a Aarão pouco depois deste incidente: “Não bebas vinho, nem bebida inebriante, nem tu nem teus filhos, quando entrares na tenda de reunião, para que não morrais. É um estatuto por tempo indefinido para as vossas gerações, tanto para se fazer diferença entre o santo e o profano, e entre o impuro e o puro, como para se ensinar aos filhos de Israel todos os regulamentos que Jeová lhes falou por meio de Moisés.” — Lev. 10:8-11.

Visto que o apóstolo Paulo nos assegura que “estas coisas lhes aconteciam como exemplos, e foram escritas como aviso para nós, para quem já chegaram os fins dos sistemas de coisas”, o que podemos aprender do proceder de Nadabe e Abiú? — 1 Cor. 10:11.

Mais de uma coisa. Primeiro de tudo, poder-se-ia dizer que havia nele um aviso subentendido para todos os primogênitos não pensarem demasiado de si mesmos. É bem provável que Nadabe, o primogênito, liderasse nessa questão. Entre outros primogênitos que não se provaram bons, acha-se Caim, o primogênito de Adão; Esaú, o primogênito de Isaque; Rubem, o primogênito de Jacó, e Amom, o primogênito do Rei Davi.

Há também no registro uma lição para todos os jovens, para mostrarem respeito aos mais velhos, para se voltarem para eles em busca de orientação, especialmente se forem pais tementes a Deus. Os jovens devem cuidar de não permitir que se crie um “conflito de gerações” entre eles e seus pais e outros mais velhos” pois este conflito conduz a que ajam de forma errada. Meridianamente, a Palavra de Deus aconselha: “Honra a teu pai e a tua mãe.” “Observa, filho meu, o mandamento de teu pai, e não abandones a lei de tua mãe.” Certamente, se Nadabe e Abiú tivessem esta atitude mental para com seu pai, não viriam a sofrer pesar. — Êxo. 20:12; Pro. 6:20.

Neste registro, acha-se também contido um aviso contra a presunção, pois ilustra o princípio: “Chegou a presunção? Então chegará a desonra.” (Pro. 11:2) Caso sejamos favorecidos com privilégios especiais, ou tenhamos destaque incomum, não devemos permitir que isto nos dê um conceito muito elevado de nós mesmos. Não raro, tais pessoas desejam dizer a seus superiores o que estes devem fazer, ao invés de modestamente avaliarem a necessidade de obterem orientação.

E, por fim, há o aviso do perigo de se ser indevidamente influenciado pelas bebidas alcoólicas. Na verdade, a Bíblia nos diz que uma das dádivas de Deus é o vinho que “alegra o coração do homem mortal”, e que devemos dar “vinho aos amargurados de alma”. Também se nos diz que um pouco de vinho é bom para as aflições estomacais e outros males. — Sal. 104:15; Pro. 31:6; 1 Tim. 5:23.

Mas, será sábio tomar vinho ou qualquer outra bebida alcoólica quando a pessoa tem sérios deveres a cumprir, quando precisa pensar com clareza e ter firme controle de suas faculdades físicas e mentais? O Dr. M. A. Block, autoridade sobre o efeito do álcool sobre o corpo, diz que “o álcool eleva a pessoa do estado de realidade para um estado mental mais agradável e desejável”, e que “com álcool em seu sangue, o motorista talvez ache que está agindo melhor, quando, em realidade, está agindo pior”.

Sim, as bebidas alcoólicas estimulam as emoções e deprimem os processos mentais. Não é sem boa razão que o sábio Rei Salomão observou: “O vinho [usado em excesso] é zombador, a bebida inebriante é turbulenta e quem se perde por ele não é sábio.” Os cristãos, por conseguinte, devem ser cuidadosos, tanto quanto à ocasião como quanto à quantidade que ingerem de tais bebidas. E seria parte da discrição não se entregarem a tais bebidas pouco antes ou enquanto se empenham no ministério, assim evitando causar desnecessária ofensa. — Pro. 20:1.

Na verdade, muito se pode aprender dos exemplos admoestadores de Nadabe e Abiú, conforme se encontram na Palavra de Deus, a Bíblia.

É sua religião a certa?


JESUS CRISTO mostrou que nem todas as pessoas praticam a religião certa, a que leva à vida. Com efeito, explicou que a maioria do gênero humano seria desencaminhado a seguir a estrada larga que leva à destruição. Assim, avisou: “Vigiai-vos dos falsos profetas que se chegam a vós em pele de ovelha, mas que por dentro são lobos vorazes.” (Mat. 1:13-15) O apóstolo Paulo também revelou que os falsos líderes religiosos desencaminhariam a muitos. — 2 Cor. 11:14, 15.

Está seguro de que sua religião verdadeiramente tem a aprovação de Deus? É possível assegurar-se disso. Sim, pode determinar com certeza se sua religião é a certa. Isto pode ser feito por examinar se os ensinos e as práticas dela estão de acordo com a Palavra de Deus, que Jesus afirmou ser a verdade. (João 17:17) É relativamente fácil fazer tal exame. E, se ao fazê-lo, descobrir que os ensinos e as práticas de sua religião não se harmonizam com a Bíblia, então não é a religião certa.

Está disposto a por a tal prova sua religião? Não há nada a temer, porque, se tiver a religião certa, pode apenas ficar mais seguro com tal exame. E, se aquilo em que crê não se harmonizar com a Bíblia, então deve acolher bem a verdade, porque leva à vida eterna. — João 17:3.

Para começar, considere alguns ensinos comuns das organizações religiosas. Ensina sua religião, por exemplo, a crença popular de que a alma humana é imortal, que não pode morrer? Note o que a Palavra da verdade de Deus diz sobre o assunto: “Derramou a sua alma na morte.” (Isa. 53:12, Al) “A alma que peca, perecerá.” (Eze. 18:4, 20, PIB) Não é óbvia a resposta da Bíblia? Ensina que as almas são mortais, que podem morrer e realmente morrem. Ensina isso a sua religião? Deveria ensinar, se for a religião certa.
Outra idéia que muitas organizações religiosas têm ensinado há muito é que o inferno é um lugar para onde apenas os perversos vão, e que ninguém pode sair do inferno. Ensina isso a sua religião? A Bíblia, contudo, afirma que Jesus Cristo esteve no inferno três dias e foi ressuscitado de lá. Numa profecia bíblica a respeito dele, explica: “Não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção.” — Sal. 16:10, Al; Atos 2:31.

O que, então, é o inferno? A Bíblia mostra que o inferno é a sepultura comum da humanidade. E observe o que a Bíblia afirma: “A morte e o inferno deram os mortos que neles havia.” (Rev. 20:13, Al) Sim, não só a Bíblia ensina que os bons bem como os injustos vão para o inferno, mas mostra que aqueles que estão no inferno serão ressuscitados! (Atos 24:15) Ensina isso a sua religião? Visto que a Bíblia o ensina, a religião certa o fará também.

Examine outra crença religlosa comum — a de que os mortos estão conscientes. São tantas as religiões que ensinam isto. Mas, sobre tal assunto, as Escrituras inspiradas pontificam: “Os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem nada.” (Ecl. 9:5, PIB) Destarte, segundo a Bíblia, os mortos não estão conscientes. Entretanto, têm a grandiosa perspectiva de serem erguidos da inconsciência por meio da ressurreição dos mortos. — João 5:28, 29.

O que dizer da crença comum de que Deus e seu Filho, Jesus Cristo, são iguais? As religiões que ensinam a doutrina da Trindade afirmam que são. No entanto, disse Jesus: “O Pai é maior do que eu.” (João 14:28, PIB) E a Bíblia, em Marcos 13:32, afirma que o Pai tem conhecimento de importante informação que nem os anjos e nem o Filho sabem. Obviamente, então, Jesus e o Pai não são iguais. Ensina isso a sua religião? Deveria, se estiver em plena harmonia com a Palavra de Deus.

Pode ver como tal exame dos ensinos religlosos o pode ajudar a determinar se sua religião é a certa? Assim, ao estudar a Palavra de Deus, continue a fazer tal exame. Mas, ao mesmo tempo, examine as práticas de sua religião, pois a religião certa tem também de ser identificada pelo que realmente faz ou deixa de fazer.

Por exemplo, usa sua religião o nome de Deus e magnifica a sua importância? A Bíblia faz isso. Afirma: “Para que as pessoas saibam que tu, cujo nome é Jeová, sòmente tu és o Altíssimo sobre toda a terra.” (Sal. 83:18) Jesus tornou conhecido o nome de Deus, Jeová. Com efeito, ensinou seus seguidores a orar: “Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome.” (Mat. 6:9, PIB) E Jesus disse em oração a seu Pai: “Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste.” (João 17:6, CBO) Torna a sua religião conhecido o nome de Deus, Jeová?

Examine mais a sua religião. Ensina que os ministros devem pregar de casa em casa? Jesus visitou bem os lares das pessoas e instruiu seus discípulos a fazer o mesmo. (Mat. 10:12-14) O apóstolo Paulo disse sobre seu ministério: “Não me refreei de . . . vos ensinar publicamente e de casa em casa.” (Atos 20:20) Pregam e ensinam os seus ministros de casa em casa? Os ministros da religião certa o fazem.

É sua religião parte integrante deste mundo e de sua política? Incentiva-o a ser? Sobre seus seguidores, Jesus disse: “Não fazem parte do mundo, assim como eu não faço parte do mundo.” (João 17:16) E Tiago, discípulo de Jesus, escreveu: “A forma de adoração que é pura e imaculada do ponto de vista de nosso Deus e Pai é esta:  . . . manter-se sem mancha do mundo.” Mantêm-se sua religião sem mancha do mundo? — Tia. 1:27; 4:4.

Jesus Cristo descreveu como seus verdadeiros seguidores poderiam ser identificados em especial. Disse: “Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.” (João 13:35) Traz sua religião esse sinal identificador do amor? Instila em seus membros um amor que é tão forte que permanece verdadeiro até mesmo em tempos difíceis? Os futos mostram que, quando as nações mundanas foram à guerra, os católicos de um lado mataram católicos do outro lado, e os protestantes e judeus fizeram o mesmo. Será isto mostrar amor uns pelos outros? Dificilmente. Todavia, lembre-se de que Jesus disse que o genuíno amor entre eles mesmos seria um sinal identificador dos que praticavam a religião certa.

Fez esta breve consideração que desejasse examinar mais? É a coisa sábia e correta a fazer. Deveria assegurar-se de que sua religião fale e aja segundo a Palavra de Deus. (1 Tes. 5:21; 2 Cor. 13:5) Por fazer isso, poderá chegar a adorar a Deus da forma correta, e, por conseguinte, granjear a Sua aprovação.

Nota:

Algumas traduções substituem o nome Jeová pelo título Senhor. Não obstante, no original hebraico, o nome próprio Jeová aparece. Este nome é usualmente traduzido Jeová, mas na tradução católica do Pontifício Instituto Bíblico de Roma (PIB), é traduzido Javé (verso 19).


“ADÃO e Eva, Caim e Abel, são figuras mitológicas. Ainda assim, eles viveram. Eles realmente vivem; são nós mesmos.” Assim escreveu o clérigo Per Lønning em seu livro Utenfor Allfarvei (Fora da Estrada). O que este destacado líder religioso da Igreja Estatal da Noruega escreveu é algo que muitos teólogos e clérigos afirmam a respeito do primeiro homem e da primeira mulher mencionados na Bíblia Sagrada.

2 Muitas pessoas não questionam tais afirmações, porque acham que estes líderes religiosos devem saber o que falam. “Afinal de contas”, talvez alguém diga, “esses homens cursarem seminários para estudar a Bíblia!” Entretanto são exatas as suas asserções? Por que tais clérigos fazem tais afirmações? Serão Adão e Eva figuras mitológicas que simbolizam a humanidade, ou eram pessoas reais? As respostas a estas perguntas são importantíssimas porque têm de ver com a fidedignidade da Bíblia como a inspirada Palavra de Deus. Também, têm diretamente que ver com a questão do pecado e da morte, e da provisão de Deus para a salvação humana.

3 Onde poderemos encontrar as respostas para tais perguntas? Ora, bem lá na Bíblia Sagrada! Se se voltar para ela, verificará que Jesus Cristo, o próprio fundador do Cristianismo, não achou que Adão e Eva fossem figuras mitológicas que representavam a humanidade. Mateus 19:4, 5 reza: “Não lestes que aquele que os criou desde o princípio os fez macho e fêmea, e disse: ‘Por esta razão deixará o homem seu pai e sua mãe, e se apegará à sua esposa, e os dois serão uma só carne’?”

4 Note que Jesus proferiu estas palavras aos fariseus, que estavam “decididos a tentá-lo”. Tentavam provar que ele era impostor e um falso profeta. (Mat. 19:3) Bem, será que Jesus se referiria a um mito para corrigir o modo de pensar errado dos inimigos criticamente dispostos? Naturalmente que não! Jesus sabia que Adão e Eva eram pessoas reais. Suas palavras, “Não lestes” se referem ao relato de Gênesis. Evidentemente, os fariseus, também, aceitavam este relato como sendo histórico e tendo peso. Se não fosse assim, teriam questionado a referência que Jesus fez a ele.

5 O Doutor Lucas é um historiador cujos escritos se têm provado exatos até nos mínimos pormenores. Em sua biografia de Jesus Cristo, ele escreveu que ‘pesquisara todas as coisas com exatidão, desde o início’. (Luc. 1:3) Nela, delineou o registro genealógico da linhagem de descendência de Jesus. Em seu registro, este historiador exato incluiu “Adão, filho de Deus”. (Luc. 3:23-38) Pense agora, será que um historiador meticuloso como Lucas usaria uma figura mitológica em uma genealogia compilada para provar que Jesus era o verdadeiro Messias? Se o fizesse, será que alguém aceitaria tal registro genealógico como sendo genuíno? Com efeito, pensaria alguém que seu registro biográfico de Jesus tinha base nos fatos?  Dificilmente!

6 Considere os escritos do apóstolo Paulo, em que ele menciona diversas vezes o primeiro casal humano. Suas referências ao mesmo demonstram que cria serem eles pessoas reais. Por exemplo, quando escreveu a um ministro-presidente sobre o proceder congregacional, pontificou: “Não permito que a mulher ensine ou exerça autoridade sobre o homem, mas que esteja em silêncio. Porque Adão foi formado primeiro, depois Eva.” (1 Tim. 2:12, 13) Se Adão e Eva fossem caracteres mitológicos, então Paulo anulava seu próprio conselho! Nenhuma pessoa sensata levaria a sério a instrução baseada em antigas estórias fantasiosas. Seria como seu patrão lhe mandar fazer algo de certa forma devido a que os personagens mitológicos Woden ou Tor assim o fizeram!

7 Somente por aceitarmos o fato de que Adão e Eva eram pessoas reais podemos entender claramente a razão pela qual a doença, o sofrimento e a morte afligem a humanidade. Paulo mostra isto em Romanos 5:12, escrevendo: “Assim como por intermédio de um só homem [Adão] entrou o pecado no mundo, e a morte por intermédio do pecado, e assim a morte se espalhou a todos os homens, porque todos tinham pecado.”

8 Se Adão e Eva fossem símbolos da humanidade, como alguns clérigos pretendem, como foi que entrou o pecado em toda a humanidade e então se espalhou por toda a humanidade? Pode algo que está inteiramente afligido com alguma coisa “espalhar” tal aflição a si mesmo? Não! Quando algo se espalha, tem de haver um ponto inicial. Assim, o pecado e a morte foram transmitidos a seus descendentes ainda por nascer por meio da conduta errada de Adão e Eva, um casal real de carne e sangue. A pecaminosidade humana e seu acompanhante processo de envelhecimento e morte testificam o fato de que Adão e Eva certa vez viveram.

9 Nem é o relato bíblico sobre Adão e Eva contrário à verdadeira ciência. Os pesquisadores têm concluído que a inteira família humana tem origem comum! Note o que Prof. R. Benedict e o Dr. G. Weltfish afirmam neste respeito em seu livro The Races of Mankind (As Raças da Humanidade): “A história da Bíblia sobre Adão e Eva, pai e mãe de toda a raça humana, dizia há séculos atrás a mesma verdade que a ciência tem revelado hoje: que todos os povos da terra são uma só família e tem origem comum. . . . As raças da humanidade são aquilo que a Bíblia diz que são — irmãs.”

10 Na verdade, podemos aceitar sem reservas ou dúvidas que o relato bíblico em Gênesis sobre Adão e Eva se baseia nos fatos e é autêntico. Por que, então, os clérigos o negam ou lançam dúvidas sobre o mesmo? É porque realmente não crêem na Bíblia, nem a ensinam. Com efeito, muitos deles negam que Deus irá remover para sempre da humanidade todo vestígio do pecado herdado de Adão por meio do sacrifício de resgate de Jesus Cristo. Deixam de falar às pessoas que o tempo de Deus fazer isso está bem próximo. — Rom. 5:18, 19.

11 Atualmente, centenas de milhares de testemunhas de Jeová em todas as partes da terra estão oferecendo-se amorosamente para ajudar a qualquer pessoa que queira entender o que a Bíblia ensina. Muitas pessoas as convidam para ir a suas casas a fim de que suas perguntas bíblicas sejam respondidas, e isto sem nenhuma despesa para elas mesmas. Tire pleno proveito da oferta que elas fazem. Ao assim fazer, virá a avaliar mais cabalmente a exatidão da Bíblia e que futuro maravilhosamente feliz poderá usufruir num paraíso sem pecado e morte, por seguir seus princípios. — Rev. 21:3, 4.

Pode responder a estas perguntas? Para obter as respostas, leia o artigo acima.

(1) Que escreveu um clérigo norueguês a respeito de Adão e Eva? (2) Por que é importante a pergunta quanto a se Adão e Eva eram pessoas reais? (3) O que mostra se Jesus Cristo considerava Adão e Eva como figuras mitológicas? (4) O que mostra que o relato de Gênesis sobre a criação humana era aceito como sendo literalmente verdadeiro tanto por Jesus como pelos fariseus? (5) Que evidência existe de que o historiador Lucas considerava Adão como pessoa histórica? (6) Como mostrou o apóstolo Paulo que considerava Adão e Eva como sendo reais? (7) Aceitar o fato de que Adão e Eva viveram nos ajuda a entender o quê? (8) Por que e desarrazoado pensar que Adão e Eva eram símbolos da humanidade? (9) O que dizem dois pesquisadores científicos sobre a origem da família humana? (10) Por que o clero nega a Bíblia, é o que deixam de fazer? (11) Que ajuda se acha disponível para o leitor, de modo que possa tirar proveito da Palavra de Deus?

Devemos amar e não odiar


QUE devemos amar, e não odiar, é o bom conselho que nos dá o apóstolo João: “Esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio, que devemos ter amor uns pelos outros; não como Caim, que se originou do iníquo e que matou a seu irmão. E por que causa o matou? Porque as suas próprias obras eram iníquas, mas as de seu irmão eram justas.” — 1 João 3:11, 12.

Por que devem os cristãos amar uns aos outros? Porque é um requisito justo e reto. Como o apóstolo João declara ainda mais: “Amados, se é assim que Deus nos amou” — por enviar “seu Filho como sacrifício propiciatório pelos nossos pecados” — “então nós mesmos temos a obrigação de nos amarmos uns aos outros”. E é também o proceder sábio que os cristãos se amem uns aos outros, pois “o amor edifica”; edifica tanto a quem ama como a quem é amado. — 1 João 4:10, 11; 1 Cor. 8:1; Atos 20:35.

O ódio é exatamente o contrário do amor, isto é, o ódio ao próximo ou aos irmãos cristãos. Na verdade, devemos odiar o que é mau, de fato, somos ordenados a fazê-lo pela Palavra de Deus. (Sal. 97:10) No entanto, este é um ódio baseado em princípios. Mas, o ódio egoísta e pessoal derruba; é assemelhado ao assassinato: “Todo aquele que odeia seu irmão é homicida, e vós sabeis que nenhum homicida tem permanecente nele a vida eterna.” Caim, o primeiro filho de Adão, nos fornece admoestador exemplo neste respeito. O ódio o moveu a ignorar a repreensão de Deus e a deliberadamente assassinar seu irmão Abel. — 1 João 3:15.

Sem dúvida, Adão e Eva alimentaram grandes esperanças por ocasião do nascimento de seu primeiro filho, Caim. Isto parece ser indicado pelas palavras de Eva: “Adquiri um homem com o auxílio de Jeová.” (Gên. 4:1) Poder-se-ia dar que Caim recebeu consideração especial como primogênito e que isso lhe subiu à cabeça. Quando seu irmão Abel surgiu, Caim sem dúvida o desprezou. Era homem orgulhoso.

Tudo veio à tona quando Caim e Abel fizeram ofertas a Jeová Deus. Caim trouxe frutos e legumes, ao passo que Abel “trouxe dos primogênitos do seu rebanho, sim, dos seus pedaços gordos. Ora, ao passo que Jeová olhava com favor para Abel e para sua oferenda, não olhava com favor para Caim e para sua oferenda”. (Gên. 4:3-5) Por quê? Porque Abel tinha a correta condição de coração, ofereceu o sacrifício certo e o ofereceu com fé, mas, em todos estes aspectos, Caim falhou. — Heb. 11:4; 1 João 3:12.

Ver Abel, a quem considerava inferior a si mesmo, ser preferido por Jeová Deus era simplesmente demasiado para Caim. Um ódio homicida encheu sua alma: “Acendeu-se muito a ira de Caim, e seu semblante começou a descair.” Vendo a condição de coração de Caim, Deus lhe estendeu ajuda por repreender a Caim: “Por que se acendeu a tua ira e por que descaiu o teu semblante? Se te voltares para fazer o bem”, isto é, se exerceres fé e ofereceres o sacrifício da espécie correta, “não haverá enaltecimento? Mas, se não te voltares para fazer o bem, há o pecado agachado à entrada e tem desejo ardente de ti; e conseguirás tu dominá-lo?” — Gên. 4:5-7.

Aqui Jeová Deus, em seu amor e longanimidade, avisava ao orgulhoso e invejoso Caim a respeito da perigosa atitude de coração deste e lhe dizia que ele também poderia granjear o favor de Jeová se se humilhasse por copiar o exemplo de Abel. Era um sacrifício animal que era apropriado, visto envolver o derramamento de sangue, e era necessário derramar sangue para reconciliar o homem com Deus. — Heb. 9:22.

Mas, Caim não escutava a Jeová Deus. Seu orgulho e seu ódio invejoso não só endureceram seu coração contra seu irmão, mas até o tornaram surdo à repreensão do próprio Jeová Deus. “Depois, Caim disse a Abel, seu irmão: ‘Vamos ao campo.’ Sucedeu, pois, enquanto estavam no campo, que Caim passou a atacar Abel, seu irmão, e o matou.” Evidentemente, Abel era tão inocente que não notou de jeito nenhum o ódio invejoso de seu irmão e, assim, acompanhou-o, sem nada suspeitar de qualquer trapaça. — Gên. 4:8.

Caim matou seu irmão a sangue frio. Não foi um ato impulsivo, feito no espírito do momento, no calor da paixão. Foi assassinato premeditado. Jeová Deus o avisara, e preferira ignorar o aviso. Convidou o irmão a ir para o campo, longe do resto da família, com o propósito de matá-lo. Daí, quando Jeová lhe perguntou: “Onde está Abel, teu irmão?” Caim hipócrita e mentirosamente respondeu: “Não sei. Sou eu guardião de meu irmão?” (Gên. 4:9) Por causa deste assassinato odiento Caim perdeu qualquer esperança de vida eterna, assim como é indicado pelas palavras de João. — 1 João 3:12.

Na verdade, o ódio pessoal contra o irmão ou próximo da pessoa é algo a ser evitado. Pode ter suas raízes em um mal-entendido ou numa injustiça recebida. Ou, então, como se deu com Caim pode ser devido ao orgulho ou à inveja, a pior sorte de ódio, porque é tão crassamente egoísta. Esta é a sorte de ódio que os líderes judeus nutriam por Jesus, e fez com que também cometessem assassinato. Corretamente, Jesus os acusou de terem como pai a Satanás, o Diabo, e lhes disse que não conseguiriam escapar da destruição da Geena. — Mat. 23:33-36; João 8:44.

Como podemos impedir que o ódio surja em nosso coração devido ao que outrem tenha dito ou feito e que nos influiu adversamente de uma forma ou de outra? Por repetir para nós mesmos quão errado, quão iníquo é odiar nosso irmão; por esforçarmo-nos de perdoar e esquecer; por esforçarmo-nos de ser razoáveis. Temos de admitir que quem nos prejudicou não é basicamente perverso ou não seria um irmão cristão, mas tem muitas qualidades excelentes. Talvez esteja servindo a Jeová Deus tão bem quanto nós, ou até melhor! Também queremos lembrar que devemos amar o próximo como a nós mesmos, e que o amor cobre uma multidão de pecados. Ademais, podemos também repetir para nós mesmos que isso é tolice, que simplesmente não faz sentido permitir que outro nos prive de nossa alegria. (Mar. 12:31; 1 Ped. 4:8) Naturalmente, se não pudermos perdoar e esquecer, somos obrigados a seguir as instruções de Jesus, conforme registradas em Mateus 18:15-17, e dirigir-nos pessoalmente a ele no empenho de ganhar nosso irmão.

Há outra lição admoestadora a ser aprendida do proceder perverso de Caim, e essa é de nunca ignorarmos a repreensão ou o conselho admoestador. Tal aviso, poder-se-ia dizer, é disciplina, e “as repreensões da disciplina são o caminho da vida”. Caim orgulhosa e teimosamente recusou ouvir a repreensão da disciplina proveniente do próprio Jeová Deus. Seu proceder foi tão tolo quanto perverso. É possível que ele pudesse vir a ser o ancestral do Messias, mas, ao invés, sua linhagem pereceu no Dilúvio. — Pro. 6:23.

Que todos os cristãos levem a peito o conselho de João de amarem a seus irmãos e ficar vigilantes para não deixar o ódio criar raízes. Ao mesmo tempo, que sempre se prontifiquem a aceitar as repreensões da disciplina.